Pentágono quer banir Claude, mas militares resistem à troca

Funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, ex-servidores e contratados de TI que atuam junto às Forças Armadas afirmam que não querem abrir mão das ferramentas de inteligência artificial (IA) da Anthropic, que consideram superiores às alternativas disponíveis. Isso ocorre mesmo depois de o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ter classificado a empresa como um risco à cadeia de suprimentos no início de março, proibindo seu uso no Pentágono e entre contratados após um prazo de seis meses.

A decisão surgiu de um desentendimento entre a Anthropic e o Departamento de Defesa sobre os limites de uso das ferramentas de IA militares. Apesar da ordem formal, parte do pessoal está descumprindo o prazo de transição, e alguns já planejam retomar o uso da plataforma caso o impasse seja resolvido. O movimento indica que a retirada do Claude das redes militares será um processo lento e custoso.

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, classificou o Claude como risco à cadeia de suprimentos militares (Imagem: Joshua Sukoff / Shutterstock.com)

Profissionais de TI frustrados com a ordem

A resistência interna é palpável. “As pessoas de carreira em TI no Departamento de Defesa odeiam essa decisão porque finalmente tinham conseguido que os operadores se sentissem confortáveis usando IA”, afirmou um contratado ouvido pela Reuters, que disse considerar o modelo Claude “o melhor”, enquanto o Grok, da xAI, frequentemente apresentava respostas inconsistentes para uma mesma consulta.

As ferramentas de IA tornaram-se essenciais para as Forças Armadas dos EUA, sendo usadas em tarefas que vão desde o direcionamento de armamentos e planejamento de operações até o manuseio de material classificado e a análise de informações. A Anthropic firmou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa em julho de 2025 e se integrou rapidamente ao fluxo de trabalho militar. O Claude foi o primeiro modelo de IA aprovado para operar em redes militares classificadas, e seu nível de adoção era considerado elevado.

Apesar de proibição do Pentágono, militares insistem em não abrir mão do Claude (Imagem: gguy / Shutterstock.com)

Recertificação pode levar até 18 meses

Substituir sistemas que utilizam os produtos da Anthropic não é tarefa simples. Joe Saunders, CEO da empresa contratada RunSafe Security, que ajudou as Forças Armadas a incorporar chatbots de IA, explicou que a recertificação de um sistema já existente para uma nova plataforma pode levar de 12 a 18 meses. “Não é só caro, é uma perda de produtividade”, afirmou.

Um funcionário do Pentágono disse que tarefas antes realizadas pelo Claude, como consultas a grandes volumes de dados, passaram a ser feitas manualmente com ferramentas como o Microsoft Excel. O Claude Code, ferramenta da Anthropic usada para escrever código, era amplamente utilizado internamente. Sua ausência deixou desenvolvedores frustrados, segundo relatos de servidores seniores.

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Sistema da Palantir também afetado

A retirada tem implicações que vão além do uso direto. O Maven Smart System, da Palantir — plataforma de análise de inteligência e direcionamento de armamentos usada por militares — foi construído com fluxos de trabalho e prompts desenvolvidos com o Claude Code, segundo fontes da Reuters. A Palantir, que mantém contratos relacionados ao Maven com o Departamento de Defesa e outras agências de segurança nacional com valor potencial acima de US$ 1 bilhão, terá de substituir o Claude por outro modelo e reconstruir partes do software.

A Palantir, muito utilizada no setor militar dos Estados Unidos, construiu sua plataforma Maven Smart System com base nos códigos do Claude (Imagem: Hiroshi-Mori-Stock / Shutterstock.com)

Alguns desenvolvedores estão “empurrando com a barriga” a substituição, pois ainda usam o Claude para criar fluxos de trabalho automatizados. Um diretor de informação de uma agência federal afirmou que planeja adiar o processo, apostando que o governo do país e a Anthropic chegarão a um acordo antes do prazo de seis meses. O Pentágono usou ferramentas do Claude para apoiar operações militares durante o conflito com o Irã, e fontes da Reuters disseram que a tecnologia continua em uso apesar do bloqueio.

“O que estamos vendo aqui é a tensão da adoção, tanto dentro do Pentágono quanto no nível político”, afirmou Roger Zakheim, diretor da Ronald Reagan Presidential Foundation and Institute.

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