China pressiona liderança dos EUA em IA com modelos abertos

Um relatório publicado nesta segunda-feira (23) por um órgão consultivo do Congresso dos Estados Unidos aponta que a dominância da China em inteligência artificial (IA) de código aberto está criando uma vantagem competitiva crescente frente a rivais norte-americanos. O documento afirma que, mesmo com restrições de acesso a chips avançados, o país asiático tem conseguido avançar rapidamente no setor.

Segundo o texto, esse movimento é impulsionado principalmente pelo menor custo dos modelos chineses e pela ampla adoção global. Empresas como Alibaba, Moonshot e MiniMax aparecem entre as responsáveis por liderar rankings de uso em plataformas como HuggingFace e OpenRouter.

Empresas como a Alibaba impulsionam a dominância chinesa em IA de código aberto (Imagem: rafapress / Shutterstock.com)

Ecossistema aberto acelera desenvolvimento

O relatório destaca que a estratégia chinesa de integrar a inteligência artificial em setores como manufatura, logística e robótica tem gerado grandes volumes de dados do mundo real. Essas informações são usadas para aprimorar continuamente os modelos, criando um ciclo de evolução tecnológica.

De acordo com a Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China, esse ecossistema aberto permite que a China inove próxima da fronteira tecnológica, mesmo enfrentando limitações de capacidade computacional. O documento também afirma que laboratórios chineses reduziram a diferença de desempenho em relação aos principais modelos ocidentais.

Enquanto isso, os Estados Unidos têm investido bilhões por meio de empresas como OpenAI e Anthropic, além de gigantes tradicionais de tecnologia. Ainda assim, o relatório alerta que a posição do país pode estar sob pressão devido à expansão dos modelos abertos chineses.

Adoção global e avanço em novos campos

Estimativas citadas indicam que cerca de 80% das startups de IA nos Estados Unidos já utilizam modelos abertos desenvolvidos na China. Um dos exemplos mencionados é o modelo R1, da DeepSeek, que superou o ChatGPT como o mais baixado na App Store dos EUA após seu lançamento no ano passado.

Outro destaque é a família de modelos Qwen, da Alibaba, que ultrapassou o Llama, da Meta, em downloads globais acumulados, segundo dados da HuggingFace.

A família de modelos Qwen é destaque, ultrapassando o Llama, da Meta, em downloads globais acumulados (Imagem: jackpress / Shutterstock.com)

O relatório também aponta uma mudança no foco da inteligência artificial, que vai além dos modelos de linguagem para incluir a chamada IA incorporada (embodied AI). Nesse campo, que envolve robôs humanoides, direção autônoma e outras aplicações físicas, a China pode ter vantagem devido à sua capacidade de coletar e utilizar dados em larga escala.

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Disputa tecnológica e preocupações

Michael Kuiken, vice-presidente da comissão, afirmou que existe uma diferença de implementação entre os dois países na área de IA incorporada, o que pode se ampliar ao longo do tempo. Segundo ele, esse efeito acumulativo já começa a aparecer.

O governo chinês classificou essa área como estratégica, e diversas empresas de robótica humanoide no país planejam abrir capital ainda este ano.

Apesar de alertas de organizações ocidentais sobre possíveis riscos de segurança e viés político em modelos chineses, empresas continuam adotando essas tecnologias. O CEO da Siemens, Roland Busch, afirmou que não vê desvantagens no uso de IA aberta chinesa para treinar modelos industriais, destacando custo reduzido e facilidade de personalização.

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