A escassez de hélio provocada pelo conflito no Oriente Médio já começou a impactar a cadeia global de tecnologia, segundo executivos do setor. O problema atinge diretamente etapas essenciais da fabricação de chips, levando empresas a buscar alternativas e a rever ritmos de produção.
O tema foi discutido durante a Semicon China, em Xangai, um dos principais eventos da indústria, onde representantes relataram dificuldades crescentes no abastecimento do gás. O hélio, usado em processos críticos como resfriamento e detecção de vazamentos, teve aumento de preço desde o início da crise.
Dependência global e impacto imediato
O fornecimento de hélio é concentrado em poucas regiões. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que o Catar responde por quase um terço da produção mundial, o que amplia a vulnerabilidade da cadeia diante de tensões geopolíticas.
Cameron Johnson, sócio sênior da consultoria Tidal Wave Solutions, explicou à Reuters que a situação é motivo de preocupação imediata. Ele afirmou que as empresas têm poucas alternativas no curto prazo além de reduzir a produção ou priorizar itens considerados críticos.
Johnson também alertou para possíveis efeitos em cadeia caso o problema persista. A diminuição na fabricação de chips pode impactar setores como eletrônicos, automóveis e smartphones, ampliando os reflexos da escassez.
Empresas buscam alternativas e enfrentam atrasos
Jerry Zhang, responsável por vendas na China da empresa suíça VAT, afirmou que o conflito já reduziu a oferta de hélio e começou a afetar a produção da companhia e de outros fabricantes. Além disso, atrasos no transporte têm agravado a situação.
Para contornar o cenário, a empresa está tentando obter fornecimento alternativo, incluindo fontes nos Estados Unidos. Ainda assim, os desafios logísticos seguem pressionando os prazos.
O impacto também se estende a outras partes da cadeia. Zhou Limin, da unidade MRSI da Mycronic, relatou à Reuters atrasos no fornecimento de matérias-primas vindas de Israel, o que aumentou o tempo de entrega e afetou clientes finais.
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Risco de efeitos mais amplos
Executivos indicam que, embora o impacto atual seja de curto prazo, há risco de agravamento caso a escassez continue. Um representante do grupo francês Air Liquide também alertou para uma falta temporária de hélio, reforçando a preocupação do setor.
Com poucas soluções imediatas disponíveis, empresas seguem monitorando o cenário e aguardando uma normalização no fornecimento para evitar interrupções mais severas na produção.
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