Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a NASA pretende lançar a missão Artemis 2 nesta quarta-feira, 1º de abril, levando astronautas à órbita da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos. Nesse mesmo dia, no entanto, a Terra pode enfrentar os efeitos de uma erupção solar do tipo mais potente que existe (classe X), que chamou a atenção dos especialistas nesta segunda-feira (30).
O fenômeno teve origem na mancha solar 4405, uma região ativa que vem crescendo na superfície do Sol. De acordo com a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, no início desta madrugada, à 0h19 (pelo horário de Brasília), ela produziu uma erupção X1.5, considerada intensa. O evento foi registrado pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), da NASA, que acompanhou a explosão por várias horas.
The Sun emitted a strong solar flare on March 29, peaking at 11:19 p.m. ET. NASA’s Solar Dynamics Observatory captured an image of the event, which was classified as X1.4: https://t.co/Bi9UxXaSAi pic.twitter.com/HZxUWvxT6W
— NASA Space Alerts (@NASASpaceAlerts) March 30, 2026
A erupção liberou radiação ultravioleta extrema, capaz de ionizar camadas superiores da atmosfera terrestre. Como consequência, poucos minutos após o episódio, houve falhas nas comunicações por rádio em partes do sudeste da Ásia e da Austrália, com perda de sinal em frequências abaixo de 30 MHz, usadas principalmente em ondas curtas.
Além da radiação, a explosão lançou ao espaço uma ejeção de massa coronal (CME) – jato de material solar formado por plasma e partículas carregadas. Parte desse material segue em direção à Terra e deve atingir o planeta entre terça (31) e quarta-feira, período próximo ao lançamento da Artemis 2.
À esquerda, o registro da erupção solar X1.5 desta segunda-feira (30) e, à direita, a ejeção de massa coronal (CME) liberada pelo evento. Créditos: GOES SUVI (esq.)/NOAA; SOHO Lasco C2 (dir.)/NASA
Física solar alerta sobre os riscos ao lançamento da Artemis 2
Conforme destaca o site Space.com, modelos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) e da NASA indicam cenários ligeiramente diferentes. Enquanto a primeira prevê um impacto mais tangencial, a agência espacial trabalha com a possibilidade de um choque mais direto. Em ambos os casos, são esperadas tempestades geomagnéticas de nível G2 a G3, consideradas moderadas a fortes em uma escala que vai de G1 a G5.
A preocupação aumenta porque a mancha solar 4405 está girando em direção ao nosso planeta. Isso eleva a chance de novas erupções nos próximos dias, o que pode intensificar os efeitos sobre sistemas de comunicação e impactar operações espaciais.
A missão Artemis 2 tem lançamento previsto para 19h24 (horário de Brasília), quando quatro astronautas devem partir em uma viagem de cerca de 10 dias ao redor da Lua. A intensificação da atividade solar, no entanto, pode levar a ajustes no cronograma.
Especialistas alertam que rajadas solares podem afetar comunicações essenciais. A física solar Tamitha Skov destacou no X que sinais em frequências HF e VHF, além de sistemas via satélite, podem sofrer interferências durante o lançamento e nas primeiras manobras em órbita.
Yes. Guaranteed, NASA is paying attention regarding the upcoming Artemis 2 launch. We need to pay attention to radio bursts now. Those can really impact HF/VHF as well as satellite radio communications during critical launch operations and early orbit maneuvers! https://t.co/vw7ymBdQER
— Dr. Tamitha Skov (@TamithaSkov) March 30, 2026
Por enquanto, a NASA não anunciou qualquer alteração nos planos.
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Erupção solar promete espetáculo de auroras pelo planeta
Os caçadores de auroras também estarão atentos à possibilidade de impacto da CME liberada pela erupção solar. Se a Terra for realmente atingida de raspão, o fenômeno poderá gerar luzes coloridas em latitudes mais baixas que o habitual. Segundo a NOAA, em condições favoráveis, auroras poderão ser vistas até em locais como Nova York, Wisconsin e o estado de Washington, caso a instabilidade geomagnética atinja nível G2.
Segundo as previsões do Met Office, agência meteorológica do Reino Unido, a visibilidade de auroras na Europa tende a ser melhor em latitudes altas, principalmente na Noruega, Suécia, Finlândia e norte da Escócia. Há chance limitada em latitudes médias, como norte da Alemanha e Inglaterra, se a tempestade geomagnética chegar a G2. Além disso, a aurora austral (como o fenômeno é chamado ao se manifestar no sol do globo), poderá ser vista durante a noite na Nova Zelândia e, possivelmente, na Tasmânia, bem como em latitudes semelhantes.
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