A explosão de um motor de avião logo após a decolagem no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na noite de domingo (29), levou a um pouso de emergência e interrompeu temporariamente as operações no local. A aeronave da Delta Air Lines, que seguiria para Atlanta (EUA), retornou poucos minutos após deixar a pista.
O voo transportava 272 passageiros e 14 tripulantes, e ninguém ficou ferido. Durante a ocorrência, destroços atingiram uma área próxima à pista e provocaram um incêndio, que foi controlado pelas equipes de emergência do aeroporto. A aeronave, um Airbus A330-300, permaneceu na pista após o pouso, que ocorreu cerca de nove minutos após a decolagem.
MOTOR ESQUERDO DO A330 DA DELTA EXPLODE DURANTE A DECOLAGEM
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— SBGR LIVE (@sbgrlive) March 30, 2026
Possíveis causas ainda dependem de investigação
As causas do incidente ainda não foram confirmadas e devem ser apuradas por órgãos como o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Até o momento, a Delta informou apenas que houve um problema mecânico no motor esquerdo.
Para o engenheiro especialista em risco e segurança Gerardo Portela, não é possível apontar uma origem única antes da conclusão da investigação. “O que causa um acidente como esse? A gente ainda tem que esperar a investigação para saber o que aconteceu”, afirmou em contato com o Olhar Digital.
Segundo ele, há um conjunto de fatores conhecidos que podem levar a falhas desse tipo, com destaque para a ingestão de objetos pela turbina durante a decolagem.
“Esse tipo de acidente acontece, em grande parte, por ingestão de objetos estranhos, que pode ser um pássaro, uma ave, ou pode ser, por exemplo, um drone, um objeto hostil, ou pode ser um balão”, explicou Portela. O especialista também menciona a possibilidade de resíduos na pista serem sugados pelo motor, o que pode causar danos progressivos logo nos primeiros minutos de voo.
Falhas mecânicas também estão entre as hipóteses
Outra linha de investigação envolve problemas internos no motor, mesmo com manutenção rigorosa e inspeções frequentes. “Pode ter sido uma falha mesmo do motor. Então aconteceu algum tipo de problema, de uma palheta se soltar, alguma coisa desse tipo”, disse Portela.
Ele explica que as turbinas são compostas por diversas palhetas que operam em alta velocidade, e a quebra de uma dessas peças pode gerar impactos severos.
Além disso, há fenômenos técnicos específicos, como o chamado compressor stall, que também podem resultar em explosão. “Passa o combustível, mas não passa o ar suficiente para queimar. Então sobra combustível, esse combustível toca nas partes quentes do próprio motor […] e aí você tem uma explosão”, afirmou.
Projeto da aeronave e sistemas de segurança
Apesar da gravidade do incidente, a aeronave conseguiu retornar com segurança ao aeroporto. Segundo o especialista, isso está diretamente ligado ao projeto de redundância adotado na aviação comercial.
Ele explica que aviões como o Airbus A330 são concebidos para operar com duas turbinas independentes, sendo que cada uma delas tem capacidade suficiente para manter o voo de forma segura mesmo em caso de falha da outra. Esse conceito de redundância é central para a confiabilidade do sistema.
Além disso, o especialista menciona que o piloto não depende de visão direta do motor para identificar problemas. O diagnóstico é feito por meio de sensores térmicos e sistemas eletrônicos que monitoram temperatura, presença de gases e sinais de incêndio, enviando alertas em tempo real à cabine.
Em caso de fogo, há sistemas dedicados de combate a incêndio em cada turbina, com agentes extintores armazenados sob pressão. O procedimento padrão envolve o acionamento controlado desses sistemas, com liberação inicial do agente e avaliação do resultado antes de uma segunda descarga, se necessário. Há ainda mecanismos automáticos que podem liberar o gás em situações extremas.
Resposta da tripulação e protocolo de emergência
Diante de uma falha grave, os pilotos seguem uma sequência de ações treinadas para esse tipo de cenário. O processo envolve manter a aeronave estável, identificar a origem do problema, reduzir potência, cortar o fornecimento de combustível e isolar sistemas ligados ao motor afetado.
“Primeiro, voar, manter a aeronave em voo […] depois, navegar […] e aí, então, comunicar a emergência”, explicou Portela ao descrever a lógica operacional adotada nesses casos. No caso de Guarulhos, o piloto declarou emergência (“mayday”), o que mobilizou equipes de combate a incêndio e apoio no solo para o pouso.
Após a aterrissagem, há ainda procedimentos internos conduzidos pela tripulação de cabine. Os comissários avaliam as condições de cada saída da aeronave e repassam essas informações ao comandante, que decide a melhor estratégia para eventual evacuação.
Destroços e incêndio próximo à pista
A explosão também resultou na liberação de fragmentos do motor, que atingiram o solo e provocaram um incêndio em uma área de vegetação próxima à pista. Esse tipo de evento pode ocorrer mesmo com sistemas de contenção projetados para reduzir riscos.
O especialista explica que as turbinas possuem estruturas de proteção projetadas para conter a maior parte desses fragmentos e evitar que atinjam a fuselagem. Ainda assim, nem todos os destroços podem ser retidos, o que ajuda a explicar a queda de peças fora do motor e o incêndio registrado no solo. “São várias palhetas numa turbina […] e uma delas pode se soltar. E quando ela se solta, ela sai como se fosse um míssil”, disse.
Após o pouso, as equipes de emergência atuaram para conter o fogo e liberar a pista, que ficou interditada por cerca de três horas. As operações foram retomadas durante a madrugada de segunda-feira (30).
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O que diz a Delta Air Lines?
O voo 104 da Delta, de São Paulo para Atlanta, retornou ao aeroporto logo após a decolagem na noite de domingo, após um problema mecânico no motor esquerdo da aeronave. O Airbus A330-300 pousou em segurança e foi recebido pela equipe de combate a incêndio aeroportuário (ARFF), e os passageiros foram levados de ônibus até o terminal. A segurança de nossos clientes e da tripulação é nossa maior prioridade. Pedimos desculpas aos nossos clientes por esse atraso em suas viagens.
Informações adicionais:
Voo 104 da Delta, de São Paulo (GRU) para Atlanta (ATL), em 29 de março.
Aeronave Airbus A330-300, com 272 passageiros e 14 tripulantes.
Equipes da Delta estão trabalhando para reacomodar os passageiros e levá-los com segurança ao seu destino.
Delta Air Lines
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