A Grécia se prepara para adotar uma medida mais rígida contra o uso de redes sociais para adolescentes. Segundo a agência Reuters, o governo grego deve anunciar a proibição das plataformas para menores de 15 anos já nos próximos dias.
A iniciativa surge em meio a uma crescente pressão de famílias e especialistas, preocupados com os efeitos do uso excessivo dessas ferramentas. Também segue uma tendência internacional que começou no ano passado, quando a Austrália se tornou pioneira ao proibir adolescentes nas redes sociais. Desde entãos, vários países ao redor do mundo (como França, Espanha, Portugal, Reino Unido e Indonésia) já implementaram ou estudam medidas semelhantes.
Ainda não há detalhes oficiais sobre como a regra será aplicada na Grécia. De acordo com o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, o modelo deve seguir o que já existe na Austrália.
A discussão sobre o banimento das plataformas para menores no país ganhou força recentemente. Uma pesquisa do instituto ALCO, divulgada em fevereiro, aponta que cerca de 80% da população grega apoia algum tipo de restrição. Nos últimos meses, o governo já implementou medidas como a proibição de celulares nas escolas e o lançamento de ferramentas de controle parental para reduzir o tempo de exposição de crianças e adolescentes.
Alerta para adolescentes nas redes sociais
Georgia Efstathiou, mãe de um adolescente de 14 anos, relatou à Reuters dificuldades para limitar o tempo de tela do filho, mesmo após tentativas como conversas, restrições de internet e apreensão do celular. “Chegamos ao nosso limite… Nós, pais, precisamos de ajuda”, afirmou.
O avanço das redes sociais tem intensificado preocupações relacionadas a dependência digital, cyberbullying e outros tipos de abuso online. Plataformas como Meta, Instagram e TikTok estão entre as mais populares entre jovens no país.
Dados do Centro Grego para uma Internet Mais Segura indicam que as demandas por ajuda relacionadas a cyberbullying mais que dobraram entre 2024 e 2025. O órgão também registra denúncias envolvendo chantagem contra menores, desinformação e discurso de ódio.
Segundo George Kormas, responsável pela linha de apoio da instituição, três em cada quatro crianças que utilizam redes sociais na Grécia ainda estão no ensino fundamental.
Outro ponto de alerta vem da Organização Nacional para a Prevenção e Tratamento de Dependências. De acordo com o presidente da entidade, Athanasios Theocharis, cerca de 48% dos adolescentes já relataram impactos negativos associados ao uso dessas plataformas. Para ele, a proibição tem potencial de proteger os jovens.
Apesar do apoio expressivo, a proposta não é consenso. Alguns pais temem dificuldades na aplicação prática da medida ou acreditam que os jovens encontrarão formas de contornar as restrições. Outros defendem soluções no âmbito familiar.
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