Para governo Trump, Pix prejudica gigantes americanas de cartão de crédito

O governo dos Estados Unidos classificou o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, como um fator de “desvantagem” para empresas americanas do setor de cartões de crédito.

De acordo com o Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, divulgado pela Casa Branca nesta semana, gigantes como Visa e Mastercard enfrentam prejuízos decorrentes do modelo regulatório imposto pelo Banco Central (BC) do Brasil.

O documento diz que instituições financeiras com mais de 500 mil contas são obrigadas a adotar o sistema, o que levanta suspeitas de tratamento preferencial por parte da autoridade monetária brasileira.

No documento, a gestão Trump não menciona o Pix diretamente. Mas cita “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, inclusive os oferecidos pelo Brasil.

A movimentação representa o endurecimento da postura da gestão de Donald Trump, que já monitorava práticas brasileiras de comércio digital e pagamentos eletrônicos desde julho de 2025 (relembre a defesa do Brasil).

Relatório da Casa Branca aponta barreiras comerciais e práticas desleais em setores que vão da mineração à tecnologia

Além das críticas ao sistema de pagamentos, a Casa Branca listou uma série de entraves que, na visão de Washington, comprometem a competitividade de empresas dos EUA no mercado brasileiro. 

Os pontos abordados variam desde a exploração de recursos naturais até a regulação de dados e infraestrutura aeroespacial.

No setor ambiental e extrativista, o governo americano destaca que a extração ilegal de madeira atinge 90% da produção na Amazônia

O texto também ressalta que 28% de todo o ouro minerado no Brasil é ilícito. Isso, segundo o relatório, gera uma competição desigual para companhias que seguem normas ambientais e trabalhistas rigorosas em conformidade com os padrões dos EUA.

No campo da tecnologia, os EUA manifestaram preocupação com o PL dos Mercados Digitais, projeto de lei que prevê multas de até 20% do faturamento global das empresas e que atingiria majoritariamente grupos americanos. 

Relatório da Casa Branca cita falhas na aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados – Imagem: Cristian Storto/Shutterstock

O documento cita ainda falhas na aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e atrasos na nomeação de encarregados de proteção de dados (DPOs), os responsáveis diretos pela segurança das informações nas empresas.

Já no setor de infraestrutura e comunicações, o relatório aponta disparidade no mercado de satélites, onde empresas estrangeiras têm apenas direitos não exclusivos de exploração por 15 anos, enquanto entidades brasileiras garantem exclusividade de operação. 

Por outro lado, o documento registra que o Ministério das Comunicações desistiu, no final de 2024, de adotar a cobrança de taxas de rede, valores que seriam pagos por plataformas digitais pelo uso da infraestrutura de internet.

O fechamento do diagnóstico americano aponta a vulnerabilidade da competitividade dos EUA devido à falta de uma proibição brasileira à importação de produtos fabricados com trabalho forçado

A ausência de tal restrição legal é vista pela gestão Trump como um obstáculo para empresas que operam sob padrões éticos e regulatórios mais rígidos em território americano.

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