No Brasil, o cenário da Páscoa já é conhecido: corredores de mercado lotados de chocolate, o símbolo do coelho espalhado pelas vitrines, a troca de ovos entre familiares, crianças de olho no ovo com o brinde mais disputado…
Entre presentes e brincadeiras, há quem mantenha a tradição da caça aos ovos com os pequenos, escondendo o doce pela casa e deixando pistas como pegadas pelo caminho. No fim, cada família encontra sua própria forma de celebrar, criando tradições que se repetem ano após ano.
Sem data fixa no calendário, este ano a celebração acontece no dia 5 de abril. Para além do chocolate, a data carrega um peso simbólico que atravessa culturas e religiões. No Brasil, onde é majoritariamente associada ao cristianismo, marca a ressurreição de Jesus três dias após sua crucificação e encerra a Semana Santa, iniciada no domingo anterior, o Domingo de Ramos.
Assim como acontece dentro de cada família e religião, a Páscoa também ganha significados diferentes ao redor do mundo. A seguir, veja como alguns países celebram a data:
Alemanha
Na Alemanha, a Páscoa chega junto com a primavera e transforma a paisagem em um cenário cheio de cor. Um dos costumes mais tradicionais é decorar árvores e pequenos arbustos com ovos coloridos – a chamada Osterbaum. Ovos de galinha ou feitos de madeira, plástico e casca natural são pintados à mão pelas famílias, numa tradição que combina dois símbolos de renovação: o ovo, associado à vida, e a árvore, ligada ao renascimento da natureza. A prática, inclusive, atravessou fronteiras com a imigração alemã e aparece em cidades brasileiras como Pomerode, em Santa Catarina.
Outra tradição popular são as Osterfeuer, fogueiras acesas em diferentes regiões do país para celebrar a primavera. De origem pagã, o ritual hoje reúne famílias e amigos ao redor do fogo, em um momento de encontro que reforça o espírito de recomeço da data.
Ovos pendurados em árvores marcam a Páscoa alemãDr. Bernd Gross/Wikimedia Commons
Austrália
Na Austrália, no lugar do tradicional coelhinho, a Páscoa é representada pelo bilby, um marsupial nativo (e bastante fofo) do país. A escolha não é por acaso: os coelhos foram introduzidos por colonizadores europeus e acabaram se tornando uma praga que impactou o ecossistema australiano. Já o bilby, ameaçado de extinção, ganhou espaço nas celebrações como forma de conscientizar a população. Hoje, não é raro encontrar chocolates em seu formato, com parte das vendas revertida para a preservação da espécie.
À mesa, uma das presenças mais populares são os hot cross buns, pãezinhos doces preparados com especiarias e frutas secas, marcados por uma cruz no topo. Consumidos especialmente na Sexta-feira Santa, a tradição diz que, ao dividir o pão com outra pessoa, o gesto fortalece laços e traz sorte para o ano inteiro.
O bilby virou ícone da Páscoa na AustráliaNicole Kearney/Wikimedia Commons
França
A Páscoa francesa conta com uma lenda curiosa: por lá, não é o coelho que traz os ovos de chocolate, mas sim os sinos das igrejas. Segundo a crença popular, eles param de tocar entre a quinta-feira e o sábado da Semana Santa em sinal de luto pela morte de Cristo – e, durante esse período, “viajam” até Roma para serem abençoados pelo papa. No retorno, na manhã do domingo de Páscoa, os sinos deixariam cair ovos, galinhas e outros doces pelo caminho, dando origem à tradicional caça aos ovos entre as crianças.
À mesa, o cordeiro assado, preparado com ervas, alho e azeite, é o prato mais tradicional do almoço, geralmente servido com legumes da estação, como aspargos. Em Bessières, moradores se reúnem para preparar uma omelete gigante, feita com cerca de 15 mil ovos.
Um post compartilhado por Omelette Géante de Bessières (@omelette_geante_bessieres)
Suécia
Climinha de Halloween, mas com um tom mais leve – é assim a Páscoa na Suécia. Durante a Semana Santa, crianças se fantasiam de “bruxas da Páscoa”, com roupas antigas, lenços coloridos e bochechas pintadas, e saem de casa em casa oferecendo desenhos em troca de doces. A tradição tem origem em uma antiga lenda que dizia que, na Quinta-feira Santa, bruxas voavam até o monte Blåkulla para se encontrar com o diabo. Hoje, a história virou brincadeira e faz parte do imaginário infantil.
Dentro de casa, ramos de bétula decorados com penas coloridas enfeitam mesas e ambientes, uma prática que remonta ao século 19 e que, segundo historiadores, teria evoluído de antigos rituais ligados à Sexta-feira Santa. No sábado, fogueiras são acesas em algumas regiões como forma de reunir a comunidade – e, no passado, acreditava-se que elas ajudavam a afastar as bruxas.
A Páscoa sueca conta com “bruxinhas” nas ruasswedennewyork/Flickr
Coreia do Sul
Na Coreia do Sul, a Páscoa não é feriado nem uma celebração amplamente difundida, já que o cristianismo, especialmente o catolicismo, não é a religião predominante no país. Ainda assim, quem celebra a data costuma presentear amigos e familiares com ovos de Páscoa – mas não de chocolate, e sim ovos de galinha cozidos, decorados com pinturas ou adesivos. Além disso, nos últimos anos, a capital Seul passou a sediar um desfile com bandas, apresentações de danças e símbolos relacionados a data.
Em vez de chocolate, ovos de galinha ganham cor e significadoPiotrus/Wikimedia Commons
Escócia
Uma das tradições mais populares da Escócia é a corrida de ovos. Depois de cozidos e decorados, eles são rolados morro abaixo, vencendo aquele que chegar mais longe sem quebrar. O período também traz outras práticas curiosas que refletem o humor e o folclore local, como o “Hunting of the Gowk”, no dia 1º de abril – uma brincadeira em que amigos e familiares são enviados em uma caça ao “gowk”, termo antigo para cuco ou bobo, em locais improváveis.
A corrida termina com parte deles quebrados pelo caminhoDoug Lee/geograph/Reprodução
Bulgária
Na Bulgária, a Páscoa é uma celebração bastante ligada à tradição cristã ortodoxa. Lá, um dos costumes mais populares acontece na Quinta-feira Santa, quando ovos cozidos são tingidos de cores variadas – o primeiro sempre de vermelho, representando o sangue de Cristo. Depois, eles são usados em uma brincadeira em que as pessoas batem um ovo contra o outro, tentando quebrar a casca do adversário sem danificar a própria. Ao final, quem termina com o ovo intacto é considerado o sortudo do ano, com promessas de saúde e prosperidade.
Na Bulgária, vence quem manter o ovo sem quebrarAnny Pappa/Pexels
México
No México, a celebração se estende por duas semanas. A primeira, é a Semana Santa popular, que vai do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa e é marcada por procissões e missas. Já a semana seguinte funciona como um período de descanso, com escolas e negócios fechados. Entre as tradições mais marcantes está a Queima de Judas, realizada no sábado anterior à Páscoa. Nela, bonecos feitos de palha ou papel machê, representando o traidor de Jesus, são queimados em público. Essa tradição também acontece em algumas regiões do Brasil, principalmente no Nordeste.
Bonecos representam Judas e são queimados em espaço públicoDaniela Montellano Simón/Wikimedia Commons
Polônia
Um dos símbolos centrais da Páscoa polonesa é o cordeiro talhado em madeira, que costuma ser colocado no centro da mesa. Nos dias que antecedem a data, famílias participam de costumes como a pintura de ovos, chamados de pisanki, decorados com símbolos regionais. Outra tradição é o preparo de cestas com alimentos – como pão, babka e embutidos – que são levadas à igreja para serem benzidas.
Na segunda pós a Páscoa, a celebração ganha um tom mais divertido com o Śmigus-Dyngus, a “segunda-feira molhada”. Nesse dia, é comum que as pessoas joguem água umas nas outras, uma tradição que tem origem em antigos rituais pagãos ligados à purificação e à chegada da primavera.
Um post compartilhado por The American Institute of Polish Culture, Inc (@aipcmiami)
República Tcheca
Uma tradição um pouco maldosa acontece na República Tcheca. Lá, meninos usam varas trançadas, decoradas com fitas coloridas, para chicotear o bumbum das meninas. Em troca, elas presenteiam eles com ovos coloridos e oferecem doces e bebidas. Grande parte dos sites de turismo garante que a prática acontece de forma leve, mas é possível encontrar relatos nas redes sociais de mulheres que descrevem a experiência como desconfortável – e, em alguns casos, até agressiva – além da pressão social para participar. Apesar disso, a tradição, chamada pomlázka, ainda é vista por muitos como um ritual ligado à fertilidade, saúde e juventude.
Por outro lado, a Páscoa tcheca também reúne costumes mais leves e coloridos. Os ovos decorados são um dos principais símbolos da data, assim como os laços e enfeites que celebram o fim do inverno e a chegada da primavera. À mesa, o destaque vai para o “cordeiro” de Páscoa – que é, na verdade, um bolo doce moldado no formato do animal.
Fitas coloridas marcam as varas usadasJosef Plch/Wikimedia Commons
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