Enquanto a cápsula Orion se afasta da Terra em direção à Lua, os astronautas da missão Artemis 2, lançada na última quarta-feira (1) pela NASA, vão perdendo parte da proteção natural do planeta: o campo magnético que ajuda a desviar a radiação solar.
O maior risco das missões espaciais não são falhas técnicas ou micrometeoroides, mas partículas carregadas lançadas pelo Sol durante erupções e explosões solares. Para enfrentar esse perigo, a NASA monitora previsões de radiação com o auxílio de inteligência artificial (IA), desenvolvidas por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, com o objetivo de alertar a tripulação antes que tempestades de partículas alcancem a nave, dando tempo para ações de proteção.
Em resumo:
Radiação solar é o maior risco no espaço profundo;
Partículas do Sol podem danificar DNA e células;
Nave da missão Artemis 2 tem blindagem, mas precauções ainda são necessárias;
Ferramenta de IA prevê tempestades solares com até 24 horas;
Modelos físicos estimam o impacto e duração da radiação;
Isso permite planejar e aplicar estratégias eficazes de proteção.
Lançamento da missão Artemis 2 à Lua, em 1º de abril de 2026 – Crédito: NASA/Aubrey Gemignani
NASA testa modelos de IA para alertar astronautas
O Grupo de Análise de Radiação Espacial (SRAG) da NASA acompanha essas previsões durante a missão. A Artemis 2 ocorre no pico do ciclo solar, quando manchas e erupções são mais frequentes. Recentes erupções lembram que os riscos são reais: prótons acelerados podem viajar quase à velocidade da luz e atingir a nave em minutos.
Se atingirem a tripulação, essas partículas podem causar danos celulares e aumentar risco de câncer a longo prazo. Em casos extremos, segundo a agência, podem provocar sintomas imediatos, como náuseas. Para reduzir riscos, a cápsula Orion foi construída com blindagem avançada, mas a NASA treina a tripulação para reforçar a proteção da cabine quando necessário.
Durante situações de risco elevado, os astronautas podem reorganizar equipamentos e usar partes da nave como barreira extra. Esse procedimento aumenta a proteção sem interromper o trabalho a bordo, permitindo que experimentos e operações continuem mesmo sob ameaça de radiação.
Imagem ilustra partículas energéticas solares espiralando para fora do Sol após uma erupção de plasma. A NASA monitorará as previsões dessas partículas durante a missão Artemis 2 para proteger os astronautas da radiação – Crédito: Laboratório de Imagens Conceituais do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA.
A primeira ferramenta testada é um modelo de aprendizado de máquina. De acordo com um comunicado, ele estima a probabilidade de tempestades solares perigosas com até 24 horas de antecedência. Para isso, utiliza imagens da superfície e da coroa solar obtidas pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), da NASA, e pelo Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), uma parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA).
Esses registros históricos de radiação e atividade solar, que remontam a décadas, treinam o algoritmo para reconhecer sinais de erupções iminentes. Segundo Lulu Zhao, pesquisadora do Centro CLEAR, projeto da NASA que prevê radiação solar, o modelo monitora o Sol 24 horas por dia, observando sua evolução magnética e eventos que possam liberar energia extra.
Uma limitação do sistema é que ele fornece probabilidades, não detalhes sobre intensidade ou duração da tempestade. Por isso, a equipe complementa o aprendizado de máquina com um modelo físico que simula a propagação das partículas solares.
NASA prevê impacto da radiação com modelo físico
O modelo físico calcula quando erupções gerarão tempestades de partículas na Terra e na Lua, e quanto tempo a radiação ficará elevada. Ele acompanha o comportamento das partículas na coroa solar, região onde são aceleradas, oferecendo previsões mais precisas que métodos simplificados.
Baseado em pesquisas de 2014 da Universidade de Michigan, o modelo permite estimar rapidamente a exposição à radiação. Quando uma erupção ocorre, medições da velocidade das partículas são enviadas ao banco de dados da NASA, alimentando o sistema para calcular os riscos de forma imediata.
Para garantir rapidez, a equipe da Zhao teve acesso a três mil unidades de processamento no supercomputador da NASA. Sem essa capacidade, atrasos poderiam colocar os astronautas em risco, pois partículas solares podem atingir a nave muito rapidamente após uma explosão.
Combinando o modelo físico e a IA, a NASA consegue monitorar condições em tempo real, aumentando a segurança da tripulação enquanto a Artemis 2 se afasta da bolha protetora da Terra.
A tripulação da Artemis 2 deixará o escudo magnético terrestre rumo à Lua. Para garantir a segurança dos astronautas contra a radiação de erupções solares perigosas, a NASA vai monitorar previsões espaciais, permitindo precauções a tempo – Crédito: Estúdio de Visualização Científica da NASA.
Leia mais:
Artemis 2: NASA revela foto inédita de região inteira da Lua
Artemis 2 vai quebrar recorde de distância percorrida por humanos no espaço
Por que a missão Artemis 2 não vai pousar na Lua?
Alertas de radiação orientam operações em tempo real
Os operadores do SRAG já acompanham sensores de radiação na Orion. Eles podem alertar o Controle da Missão se os níveis subirem rapidamente, permitindo ajustes imediatos. O maior benefício das previsões é o tempo: algumas horas extras podem fazer toda a diferença na proteção dos astronautas.
A Artemis 2 não testa apenas foguetes, cápsulas ou navegação. Ela também avalia a capacidade da NASA de “ler o Sol” em tempo real, testando novas ferramentas de previsão de radiação.
O sucesso dessas previsões é essencial para futuras missões à Lua e além. Combinando IA e modelos físicos, a NASA melhora a segurança da tripulação e reduz riscos de exposição à radiação no espaço profundo.
O post NASA usa IA para proteger os astronautas da missão Artemis 2 da radiação solar apareceu primeiro em Olhar Digital.





