Artemis 2: veja o que acontecerá no sexto dia da missão

O sexto dia da missão Artemis 2 reserva o momento mais aguardado pela tripulação: a aproximação máxima da Lua. A cápsula Orion chegará a uma distância entre 6.400 e 9.600 quilômetros da superfície lunar — o equivalente a ver uma bola de basquete segura a um braço de distância — enquanto contorna o lado oculto do nosso satélite natural.

Dependendo do dia e da hora exatos do lançamento, a missão pode também estabelecer um novo recorde de distância percorrida por humanos a partir da Terra. A marca atual é de 400.171 km, estabelecida em 1970 pela tripulação da Apollo 13. O recorde da Artemis 2 variará conforme os parâmetros da decolagem, mas os astronautas estão a caminho de superá-lo.

A missão Artemis 1 também alcançou o lado oculto da Lua no sexto dia, em 2022 – Imagem: NASA

Olhos humanos sobre o lado oculto

Ao longo desse dia, os quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (NASA) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense) — se tornarão os primeiros seres humanos a ver certas regiões da Lua com os próprios olhos. A maior parte do tempo será dedicada a fotografar e filmar a superfície, registrando observações em tempo real.

A iluminação da Lua, no entanto, é uma incógnita que só será resolvida no lançamento. O ângulo do Sol em relação à superfície muda cerca de um grau a cada duas horas, e a equipe não saberá as condições exatas até estar em voo. Se o Sol estiver alto, as sombras serão poucas, e a tripulação focará em sutis variações de cor e brilho. Se estiver mais baixo, longas sombras realçarão crateras, cristas e declives — detalhes que muitas vezes desaparecem sob luz plena. Se o Sol estiver a pino, como ao meio-dia na Terra, as condições serão ideais para imagens de close de características lunares específicas.

Astronautas da missão Artemis 2 a bordo da cápsula Orion – Imagem: NASA

Horários do dia divulgados pela NASA

14h56 (de Brasília): a tripulação vai superar o recorde de maior distância da Terra já alcançada por humanos, estabelecido pela Apollo 13 em 1970.

• 15h10: comentários da tripulação sobre a quebra do recorde de distância da Apollo 13 (apenas áudio).

• 15h15: a tripulação configura a cabine da Orion para as operações de sobrevoo.

• 15h45: começam as observações lunares.

• 19h44: perda prevista de comunicação, enquanto a tripulação segue para trás da Lua (aproximadamente 40 minutos).

• 20h02: maior aproximação da Orion com a Lua (4.070 milhas).

• 20h07: a Orion atinge sua distância máxima da Terra (252.757 milhas).

• 20h25: o fenômeno “nascer da Terra” (Earthrise) marca o momento em que a Terra volta a aparecer no campo de visão, na borda oposta da Lua; previsão de restabelecimento das comunicações, à medida que a tripulação reaparece por trás da Lua.

• 21h35–22h32: durante um eclipse solar, o Sol passará por trás da Lua sob a perspectiva da tripulação.

• 22h20: terminam as observações lunares.

Silêncio de rádio

Ao passar atrás da Lua, a Orion perderá contato com a Terra por um período de 30 a 50 minutos. É um momento previsto e necessário, mas que exige preparação. A tripulação continuará registrando suas observações mesmo em silêncio de rádio, para que, ao retomar a comunicação, as anotações possam ser vinculadas exatamente às imagens capturadas.

O sexto dia será, portanto, uma combinação de espetáculo visual, ciência e isolamento — uma antecipação do que será viver e trabalhar no espaço profundo.

Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.

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