Você já reparou que a Lua parece estar sempre “olhando” para nós do mesmo jeito? Não é impressão sua. O satélite natural da Terra está travado em uma dança gravitacional que esconde permanentemente uma de suas faces. Hoje, a tripulação da Artemis 2 – Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen – está quebrando esse mistério ao observar pessoalmente o que há do outro lado.
O mistério da “frenagem” gravitacional
A razão para nunca vermos as “costas” da Lua é um fenômeno chamado rotação sincronizada. A Lua leva exatamente o mesmo tempo para girar em torno de si mesma e para completar uma volta ao redor da Terra: 27,3 dias.
Isso aconteceu porque, ao longo de milhões de anos, a gravidade da Terra funcionou como um freio invisível. O “puxão” do nosso planeta criou um leve abaulamento na Lua, e a resistência desse calombo gravitacional foi diminuindo a rotação do satélite até que as velocidades se igualassem.
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O que os astronautas vão encontrar hoje?
Diferente da face que vemos da janela de casa, o lado oculto é um cenário muito mais “raiz” e hostil. Segundo especialistas consultados pelo G1, o que espera a tripulação da Orion é:
Um escudo de crateras: por estar voltado para o espaço aberto, esse lado recebeu a maioria dos impactos de meteoritos, servindo como uma barreira de proteção para a Terra por bilhões de anos.
Geologia acidentada: ao contrário do lado visível, o oculto quase não possui os “mares” (aquelas manchas escuras de lava lisa). É um terreno montanhoso e extremamente irregular.
Crosta espessa: a “casca” da Lua é muito mais grossa desse lado, possivelmente devido à forma como o satélite resfriou logo após sua formação.
Lado oculto não é “escuro”: um erro comum é achar que essa face vive em trevas eternas. Na verdade, o outro lado recebe tanta luz solar quanto o que vemos da Terra. Hoje, por exemplo, enquanto a Orion passa por lá, o Sol brilha intensamente sobre esse terreno acidentado, já que para nós a Lua está em sua fase Nova.
O “apagão” de rádio e o eclipse solar
A passagem pelo lado oculto hoje não é apenas contemplativa; ela traz desafios técnicos críticos. Como a massa da Lua é gigantesca e opaca, ela bloqueia as ondas de rádio vindas da Terra.
Isso significa que, durante cerca de 40 minutos, a Artemis 2 passará por um blackout total de comunicação. Além disso, os astronautas terão a chance única de observar um eclipse solar direto do espaço, aproveitando a sombra da Lua para estudar a coroa solar sem a interferência da luz direta do Sol.
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