Qual é a cor da Lua? Visão da Artemis 2 surpreende

A Artemis 2 entrou em seu sexto dia. E conforme a tripulação a bordo da cápsula Orion se aproxima da Lua, a visão fica cada vez mais impressionante. Em contato com o Centro de Controle da NASA, a especialista da missão, Christina Koch, relatou que nosso satélite natural parece cada vez mais marrom.

Quanto mais olho para a Lua, mais marrom ela parece.

Christina Koch, especialista a bordo da Artemis 2

Nesta segunda-feira (6), a Orion alcança o lado oculto da Lua, a face do satélite que não pode ser vista da Terra. Com isso, os quatro astronautas a bordo da espaçonave se tornarão as pessoas que chegaram mais longe do nosso planeta na história da exploração espacial humana.

Durante a passagem pelo lado oculto, a tripulação perderá contato temporariamente com o centro de comando na Terra. Os astronautras aproveitarão o momento para registrar reflexões e observar a paisagem a olho nu.

Antes da decolagem, Christina Koch já havia ressaltado o valor da observação humana: “Embora seja difícil de acreditar, os olhos humanos são um dos melhores instrumentos científicos que temos”.

Mas afinal, qual é a cor da Lua?

Tripulação da Artemis 2 é formada por Jeremy Hansen, Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover (esquerda para a direita) – Divulgação/NASA

Qual é a cor da Lua?

A resposta é: depende.

Vista da Terra, a cor da Lua costuma variar entre tons de branco, amarelo ou até avermelhado, dependendo das condições de observação. Essas cores não refletem a composição real do satélite, mas sim efeitos ópticos causados pela atmosfera terrestre.

Isso porque a Lua não emite luz própria – ela apenas reflete a luz do Sol, e em uma proporção relativamente baixa, entre cerca de 3% e 12%. Esse brilho muda conforme sua posição no céu e a forma como a luz atravessa a atmosfera.

Durante o dia, por exemplo, o satélite tende a parecer esbranquiçado, já que sua luminosidade compete com a luz solar. À noite, especialmente quando está mais baixa no horizonte, pode assumir um tom amarelado ou até avermelhado, resultado da dispersão da luz azul e da predominância de comprimentos de onda mais longos.

Esse fenômeno é semelhante ao que ocorre com o Sol ao nascer ou se pôr. Quanto mais baixa a Lua está no céu, maior é a quantidade de atmosfera atravessada por sua luz, intensificando esse efeito de coloração.

Já as imagens da Lua capturadas no espaço são livres da interferência da atmosfera terrestre e mostram um cenário diferente. Nesse caso, nosso satélite aparece predominantemente em tons de cinza, resultado direto de sua composição geológica. A superfície lunar é formada por rochas ricas em elementos como oxigênio, silício, magnésio, ferro, cálcio e alumínio – cada um com uma cor.

Lembra da Lua de Sangue? Trata-se de um efeito óptico causado pela atmosfera terrestre – Imagem: Gergitek – Shutterstock

As variações de tonalidade estão ligadas à diversidade desses materiais. Regiões mais claras, conhecidas como terras altas, são ricas em minerais como o feldspato plagioclásio, enquanto áreas mais escuras – os chamados mares lunares – são compostas principalmente por basaltos, rochas vulcânicas formadas há bilhões de anos.

Os mares lunares não contêm água, mas são extensas planícies de lava solidificada, originadas de intensa atividade vulcânica no passado da Lua. Por serem menos refletivos, aparecem como manchas escuras que contrastam com as regiões mais claras e elevadas. Essa diferença entre terras altas e baixas é o que confere a aparência cinza clara e escura que conhecemos.

Mas embora os tons de cinza sejam predominantes, a superfície lunar não é totalmente uniforme. Análises mais detalhadas permitem identificar variações sutis de cor, incluindo tons esverdeados associados à presença de olivina e até nuances alaranjadas ligadas a partículas de vidro vulcânico. Há também áreas com tonalidades levemente azuladas, relacionadas à presença de titânio.

Outro fator que influencia a aparência da Lua é o regolito, uma camada de poeira fina e de fragmentos rochosos que cobre grande parte da superfície. Esse material é semelhante a um solo seco e solto, e contribui para o aspecto acinzentado observado nas imagens.

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Ou seja, a cor “real” da Lua está longe do branco brilhante que vemos no céu. Mas também não é completamente marrom, como relatado por Koch. Trata-se, na verdade, de uma combinação de várias tonalidades, dependendo da composição mineral da região.

Já as cores que vemos a olho nu são resultado da forma como a luz solar interage com a atmosfera da Terra.

Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.

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