Super El Niño: fenômeno pode ser o mais forte em 140 anos e trazer calor recorde

Uma atualização nos modelos climáticos globais acendeu o alerta para a formação de um Super El Niño ainda este ano. De acordo com o novo boletim do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), as chances de uma versão intensificada do fenômeno climático aumentaram, dobrando as apostas feitas no mês anterior.

Diferente de um El Niño comum, a variante “super” ocorre em média a cada 10 ou 15 anos. Ela é caracterizada pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial em mais de 2 °C acima da média, o que desencadeia uma resposta atmosférica global muito mais persistente e severa.

O que esperar de um Super El Niño?

O fenômeno altera drasticamente o regime de chuvas e temperaturas ao redor do globo. De acordo com o Washington Post, os impactos podem superar os registros do evento de 2015, até então o mais intenso já monitorado.

Especialistas como Paul Roundy, professor da Universidade Estadual de Nova York em Albany, sugerem que este pode ser o El Niño mais forte dos últimos 140 anos no Oceano Pacífico.

Principais impactos previstos até outubro:

Américas: secas severas na América Central e no norte do Brasil. Em contrapartida, Peru e Equador podem enfrentar inundações, enquanto o sul dos EUA e partes da América do Sul devem registrar ondas de calor frequentes.

Ásia e Oceania: risco elevado de seca na Índia (prejudicando a agricultura), Indonésia, Filipinas e Austrália.

Oceanos: aumento na formação de ciclones e tufões no Pacífico, mas uma redução na atividade de furacões no Atlântico.

Europa e África: verão com calor acima da média e umidade elevada em grande parte da Europa e do centro da África.

Recordes de temperatura em 2027

Um dos pontos mais críticos levantados pelos meteorologistas é o efeito “escada” no aquecimento global. Devido à alta concentração de gases de efeito estufa, o planeta não consegue dissipar todo o calor liberado por um Super El Niño antes que o próximo ciclo comece.

Como o pico do fenômeno costuma ocorrer entre dezembro e janeiro, a tendência é que 2027 quebre os recordes de temperatura estabelecidos em 2024.

“O sistema climático não consegue exaurir efetivamente o calor liberado em um grande evento de El Niño antes que o próximo venha e empurre a base de temperatura para cima novamente”, explicou Eric Webb, meteorologista do Departamento de Defesa dos EUA.

Além do calor extremo, a atmosfera mais quente aumenta a capacidade de retenção de umidade, o que potencializa o risco de tempestades catastróficas e inundações em regiões específicas, redesenhando o mapa de riscos climáticos para os próximos dois anos.

Por que 2027 pode ser o ano mais quente da história?

Embora o recorde de intensidade do El Niño no oceano pertença a 2015 (quando as águas subiram 2,8 °C), o planeta como um todo viveu seu ano mais quente em 2024.

O perigo agora é que os modelos para 2026/27 indicam um fenômeno ainda mais potente que o de 2015. Se isso se confirmar, a combinação desse “superaquecimento” do mar com a crise climática atual deve fazer de 2027 o novo recordista absoluto de calor, superando as marcas históricas do ano passado.

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