Cerca de 2,4 milhões de brasileiros estão dentro do espectro autista, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). Com o aumento de diagnósticos, cresce também o interesse por estratégias que realmente façam diferença no dia a dia. A música, que faz parte da rotina de quase todo mundo, também pode ser uma poderosa aliada no desenvolvimento de pessoas autistas. Cada vez mais, especialistas apontam que ela vai muito além do entretenimento e atua diretamente no cérebro.
Diferentemente de outras abordagens, a musicoterapia acessa áreas do cérebro que vão além da linguagem verbal, criando novas possibilidades de conexão e expressão.
Musicoterapia e autismo: como a música age no cérebro?
A relação entre musicoterapia e autismo tem base científica sólida. A música ativa diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo, incluindo áreas ligadas à emoção, memória e linguagem. Além disso, em pessoas autistas, essa resposta pode ser ainda mais intensa.
Segundo o musicoterapeuta Gustavo Gattino, professor da Universidade de Aalborg (Dinamarca), a música acessa diretamente o cérebro emocional. Ou seja, ela ajuda a organizar sentimentos e criar conexões que a fala, muitas vezes, não alcança.
Outro ponto importante é o sistema de recompensa. A música pode gerar prazer imediato, o que aumenta o engajamento nas sessões. Assim, o processo terapêutico se torna mais natural e efetivo. Portanto, não se trata apenas de ouvir sons, mas de utilizar a música como ferramenta estruturada de desenvolvimento.
“A experiência musical pode gerar uma sensação de prazer muito intensa, semelhante a estímulos como comer algo que a pessoa gosta muito. Isso faz com que o engajamento seja maior e o processo terapêutico aconteça de forma mais natural”, explica o especialista.
A terapia que regula quem está no espectro autista – Crédito: FreePik
Como a música melhora a comunicação e a rotina
Na prática, a musicoterapia para autismo atua como uma ponte entre o mundo interno e externo. Pessoas no espectro frequentemente enfrentam desafios na comunicação e na regulação emocional. No entanto, o ritmo e a repetição ajudam a criar previsibilidade e segurança.
Além disso, o uso da música no cotidiano pode trazer benefícios reais. Por exemplo, pais e cuidadores podem utilizar canções para marcar momentos do dia, como a hora de dormir ou se alimentar. Dessa forma, a criança entende melhor as transições e reduz a ansiedade.
Outra estratégia envolve o uso do ritmo para acalmar em momentos de agitação. Da mesma forma, músicas simples podem estimular interação e fortalecer vínculos. Ou seja, pequenas ações, quando repetidas com intenção, fazem diferença no desenvolvimento.
Muito além de ouvir música
Apesar de muitos associarem música apenas ao relaxamento, a musicoterapia vai muito além disso. A prática é conduzida por profissionais especializados, com objetivos terapêuticos claros e acompanhamento contínuo.
Diferentemente de ouvir música de forma passiva, a musicoterapia envolve interação, expressão e construção de vínculos. Nesse sentido, a música deixa de ser um fundo sonoro e se transforma em linguagem ativa.
Embora ainda seja pouco explorada no Brasil, a tendência é de crescimento. Afinal, há uma busca cada vez maior por abordagens que integrem ciência e qualidade de vida.
Resumo: A musicoterapia tem mostrado resultados importantes na regulação emocional e na comunicação de pessoas no espectro autista. A música ativa diversas áreas do cérebro e aumenta o engajamento terapêutico. A técnica pode ser aplicada no dia a dia, ajudando na rotina e no bem-estar.
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