Enquanto Artemis 2 enfrenta silêncio lunar, China já tem satélites para falar com o lado oculto

Enquanto os astronautas da Artemis 2 enfrentaram 40 minutos de silêncio de rádio na segunda-feira (6) ao sobrevoar o lado oculto da Lua, a China já tem uma solução para esse problema — e ela está em órbita há anos. Embora ainda não tenha enviado humanos ao satélite, o país asiático opera dois satélites de comunicação posicionados estrategicamente para retransmitir sinais da face oculta da Lua para a Terra.

De acordo com a BBC, os equipamentos chamados Queqiao-1 (lançado em 2018) e Queqiao-2 (2024) foram usados para manter contato com as missões robóticas Chang’e 4 e Chang’e 6, que pousaram no lado distante da Lua em 2019 e 2024, respectivamente. A China foi a primeira nação a pousar uma sonda naquela região inexplorada e a trazer amostras de volta à Terra.

Lua bloqueia sinais

A dificuldade de comunicação com o lado oculto da Lua é simples: o satélite natural está em rotação sincronizada, sempre mostrando a mesma face para a Terra. Isso significa que sua face oposta nunca tem linha reta direta com o nosso planeta. Ondas de rádio não conseguem atravessar o corpo rochoso da Lua — literalmente um “paredão” de 3.474 km de diâmetro —, tornando a comunicação direta impossível.

lado escuro da lua. Imagem: Dotted Yeti/Shutterstock

A solução chinesa foi colocar satélites repetidores em pontos especiais do sistema Terra-Lua. O Queqiao-1 opera em uma órbita halo ao redor do ponto de Lagrange L2, uma posição gravitacionalmente estável atrás da Lua onde o satélite “enxerga” tanto a Terra quanto a região de pouso da Chang’e-4. O Queqiao-2, em órbita elíptica lunar, faz papel semelhante para as missões mais recentes, permitindo comunicação contínua com a face oculta e também com o polo sul lunar.

Módulo de pouso da missão Chang’e 6 (Imagem: CNES/Reprodução)

China também planeja enviar astronautas para a Lua

Enquanto a Artemis 2 está colocando astronautas ao redor da Lua em preparação para a Artemis 4, que deve finalmente pousar no satélite após mais de cinco décadas, a China não pretende ficar paras trás. O país quer pousar no satélite natural até 2030.

Enquanto isso, a missão Artemis 2 — que não levou um sistema de repetidores próprio — segue seu caminho de volta à Terra, com previsão de amerissagem na costa da Califórnia na sexta-feira (10).

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