São Paulo: Nova exposição transforma Farol Santander em jardim iluminado

Explicar Jardim do Éden não é simples, e talvez nem seja possível sem vê-lo de fato. A instalação da artista portuguesa Joana Vasconcelos, que ocupa o 23º andar do Farol Santander até o dia 21 de junho, chegou a São Paulo com uma missão simples: tirar o visitante do ritmo da cidade e colocá-lo dentro de um percurso imersivo no escuro, guiado pela luz de um jardim artificial.

Sem ter uma direção específica, a configuração da obra foi criada especialmente para ocupar o espaço do prédio. Lá dentro, somos guiados apenas pelo brilho das flores e de libélulas escondidas entre as pétalas, que forma uma espécie de labirinto – e, às vezes, pelas telas de celular de outros visitantes que usam o brilho no máximo (sem flash, por favor!).

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Andando meio no instinto, parando quando alguma cor chamava mais atenção, voltando quando parecia fazer sentido. “Não existe um caminho certo. Cada um tem que encontrar o seu”, disse a artista. Mesmo que a sensação de estar perdida não seja uma das melhores, construir um percurso só seu se torna agradável quando se está em um jardim que remete ao paraíso bíblico.

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No labirinto, a imaginação flui enquanto as flores guiam o visitante pelo percursoRodrigo Reis/Farol Santander/Divulgação

Como a instalação funciona?

Após clicar no botão do 23º andar do elevador, fui recebida por um espaço claro, com paredes em tom verde que traziam um contexto inicial da obra e da importância de estar sendo exposta no Brasil. Jardim do Éden já passou por lugares como a Bienal de Veneza, o Palácio Nacional da Ajuda e o MICAS, em Malta, permitindo que diferentes públicos vivenciassem a obra. Agora, em São Paulo, a instalação cumpre seu papel cultural ao aproximar o brasileiro de uma produção artística reconhecida internacionalmente, ampliando a percepção sobre a arte contemporânea de grande escala.

Em fila, atravessei as cortinas que se abriram para um jardim poético cheio de luz. Era curioso como, mesmo com a sala cheia, quase não havia som: todos falavam em cochichos.

O painel contextualiza os visitantes sobre a obra antes de adentrarmos a salaCecília Carrilho/Arquivo pessoal

A instalação é formada por centenas de flores artificiais que produzem um efeito semelhante ao produzido pela fibra óptica. Elas piscam, mudam de cor e criam uma ilusão de movimento que engana o olho, como se estivessem dançando. “Não é um material muito tecnológico, eu faço low-tech. São materiais muito simples, é uma luz, é um círculo de plástico e são flores de plástico também. Portanto, é o efeito que cria, parece muito tecnológico, mas na verdade não é muito”, explicou Joana.

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As fores de plástico se tornam protagonistas da instalaçãoRodrigo Reis/Farol Santander/Divulgação

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A ideia surgiu de um objeto comum – uma flor decorativa vista em um restaurante chinês  -e passou por um processo cuidadoso de desenvolvimento. A produção envolveu uma equipe extensa e um trabalho técnico feito no ateliê da artista, onde foram construídos os mecanismos, estruturas e revestimentos. As flores foram encomendadas da China, mas todo o resto foi desenvolvido manualmente.

O percurso imersivo do labirinto permite que cada visitante encontre seu próprio caminhoCecília Carrilho/Arquivo pessoal

Cada montagem é única, adaptada à arquitetura do espaço, e depende de fatores como financiamento. Desde sua primeira exibição, há mais de dez anos, a obra nunca mais deixou de estar sempre exposta. O curador Fernando Zugno definiu a instalação como “um convite para esquecer por alguns instantes o mundo lá fora e realmente emergir, se perder”. O resto depende da experiência e imaginação de cada visitante – eu, por exemplo, me senti numa animação com ares de conto de fadas.

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Não é uma obra que funciona bem em imagens (inclusive, fotografar ou filmar ali dentro é bem difícil). Para entender, o melhor caminho acaba sendo percorrê-la.

Quem é Joana Vasconcelos?

A artista Joana Vasconcelos trabalha há aproximadamente 30 anos com esculturas e instalações de grande escala. Nascida em Paris, em 1971, e radicada em Lisboa desde a infância, construiu uma trajetória internacional marcada pelo uso de materiais comuns – muitas vezes associados ao cotidiano –  transformados em obras monumentais.

Seu trabalho ganhou projeção global a partir dos anos 2000 e já ocupou espaços como o Palácio de Versalhes, o Museu Guggenheim Bilbao e as Galerias Uffizi, em Florença. Em 2013, representou Portugal na Bienal de Veneza.

O destaque internacional da artista veio especialmente com a obra A Noiva (2005), um lustre gigante feito com absorventes internos. Entre outras peças conhecidas estão Marilyn, um salto alto construído com panelas e tampas de aço inox, e a série “Valquírias”, instalações suspensas que utilizam materiais têxteis para ocupar grandes espaços e criar ambientes imersivos.

Atravessando temas como consumo, identidade, cultura popular e o lugar das mulheres, Joana parte de objetos simples deslocados de sua função original. Em 2012, tornou-se a primeira mulher – e a artista mais jovem – a realizar uma exposição no Palácio de Versalhes. Para a artista, esse tipo de marco ainda revela desigualdades: “O fato de eu ser a primeira mulher em muitas situações mostra que ainda há muitas mudanças para serem feitas, porque as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens, nem têm o mesmo espaço para se expressar.”

Hoje, Joana Vasconcelos mantém um ateliê com cerca de 50 pessoas e conta com exposições espalhadas pelo mundo, com obras que se adaptam a cada espaço.

Como chegar ao Farol Santander

Localizado no centro histórico de São Paulo, o Farol Santander está a 200 metros da estação São Bento do metrô (Linha 1-Azul), que é a forma mais prática de chegar. Atualmente, a rua em frente à entrada está em obras.

A região também é bem atendida por linhas de ônibus nas proximidades. Para quem vai de táxi ou carro de aplicativo, é comum que o motorista deixe o passageiro do lado oposto da rua, sendo necessário atravessar a via. Os ingressos podem ser comprados pelo site oficial ou na bilheteria do térreo, mas, como a visita está sujeita à lotação, o ideal é garantir a entrada com antecedência.

Serviço

Jardim do Éden

Onde? 23º andar do Farol Santander – Rua João Brícola, 24, Centro.

Quando? Até 21 de junho; de terça a domingo, das 9h às 20h.

Quanto? R$ 45 (inteira) e R$ 22,50 (meia-entrada).

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