O apagão de internet no Irã se estendeu por mais de 40 dias consecutivos, segundo atualizações recentes da organização de monitoramento NetBlocks. A interrupção, que já ultrapassa 960 horas, é descrita como a mais longa já registrada em escala nacional em um país com ampla conectividade.
Dados divulgados pela entidade no último domingo (5) indicam que o bloqueio já havia atingido 37 dias consecutivos (864 horas), superando todos os episódios semelhantes anteriores em termos de duração e severidade. A continuidade das restrições reforça o impacto direto na comunicação e no acesso à informação no país.
Medida deliberada e impacto na comunicação
Isik Mater, chefe de pesquisa da NetBlocks, explicou à APF que a natureza do bloqueio indica que se trata de uma ação deliberada do governo, e não consequência de danos estruturais causados por ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel.
Na mesma linha, Raha Bahreini, pesquisadora da Anistia Internacional, afirmou à agência que a interrupção tem como objetivo restringir o fluxo de informações e conter dissidências internas.
Alternativas usadas pela população
Mesmo com o bloqueio prolongado, diferentes meios continuam sendo utilizados para manter algum nível de comunicação.
O rádio de ondas curtas é uma dessas alternativas. A organização Radio Zamaneh, com sede em Amsterdã, transmite diariamente um programa em farsi, aproveitando a dificuldade técnica de interferência nesse tipo de sinal.
As ligações telefônicas internacionais também seguem ocorrendo, embora com limitações. Usuários evitam tratar de temas sensíveis por receio de monitoramento, e cartões pré-pagos apresentam alto custo e desempenho irregular.
VPNs e ferramentas de acesso restrito
Serviços de VPN (rede privada virtual) ainda são utilizados, mas dependem de algum nível mínimo de conectividade. Antes do conflito, plataformas como o Psiphon registravam milhões de usuários no país. Com o apagão, esse número caiu drasticamente, ficando abaixo de 100 mil acessos diários.
Outras soluções, como o Lantern, também são citadas, mas o acesso ficou restrito a usuários com maior conhecimento técnico. Há ainda relatos de envio de mensagens de alerta a pessoas suspeitas de utilizar essas ferramentas.
Satélite e compartilhamento offline
Entre as alternativas mais estruturadas está o Toosheh, sistema que utiliza transmissões via satélite para distribuir conteúdos criptografados. Os dados podem ser armazenados em dispositivos USB e compartilhados localmente entre usuários.
Starlink e acesso limitado
O serviço Starlink, de internet via satélite ligado a Elon Musk, também aparece como alternativa utilizada em momentos de restrição. Durante protestos recentes, a tecnologia foi empregada para manter a circulação de informações, apesar de tentativas de interferência no sinal.
No entanto, o acesso é restrito. Equipamentos podem custar cerca de US$ 2 mil no mercado paralelo, o que limita o uso principalmente em regiões mais pobres. Segundo relatos citados pela AFP, há ainda registros de operações policiais e detenções envolvendo pessoas que possuíam dispositivos do serviço.
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