Uma formação cercada por manguezais ao redor de Vanua Levu, em Fiji, inicialmente interpretada como uma pequena ilha natural, pode ter origem totalmente humana. Pesquisadores identificaram que o terreno é composto majoritariamente por conchas descartadas ao longo de séculos, formando uma espécie de “monte” artificial com cerca de 1.200 anos.
A descoberta, divulgada em estudo científico recente, sugere que antigos habitantes da região, possivelmente do povo Lapita, consumiam grandes quantidades de moluscos e descartavam as conchas no mesmo local, o que, com o tempo, deu origem à estrutura. A análise das camadas sedimentares reforça essa hipótese de que o acúmulo não foi resultado de processos naturais.
Para quem tem pressa:
Uma formação cercada por manguezais chamou a atenção de cientistas por características incomuns que colocam em dúvida sua origem;
O solo é composto majoritariamente por restos de moluscos, acumulados ao longo de séculos em uma área concentrada;
Pesquisadores levantam a hipótese de que o local tenha surgido a partir do descarte de alimentos por populações de mais de 1.200 anos.
Formação pode ter origem humana
Esse tipo de formação é conhecido na arqueologia como “sambaqui”, termo usado para descrever montes construídos a partir do acúmulo de conchas, ossos e outros vestígios deixados por populações antigas. Embora sejam mais comuns em regiões como o litoral brasileiro, estruturas semelhantes já foram identificadas em diferentes áreas costeiras do mundo, especialmente no Pacífico, onde comunidades dependiam fortemente de recursos marinhos.
No caso analisado em Fiji, os pesquisadores identificaram que a área é composta quase inteiramente por conchas de moluscos, com camadas bem definidas que indicam acúmulo durante um longo período.
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A análise dessas camadas revelou padrões que dificilmente seriam explicados apenas por processos naturais, como a ação de marés ou correntes marítimas De acordo com os autores do estudo, “a organização e a composição do depósito não correspondem à dinâmica típica de ambientes costeiros naturais”.
Os cientistas apontam que populações antigas podem ter utilizado o local por gerações, consumindo moluscos e descartando as conchas sempre na mesma área. Esse comportamento, repetido ao longo de cerca de 1.200 anos, teria sido suficiente para elevar o terreno e formar a estrutura observada hoje.
Apesar das evidências, os pesquisadores destacam que a conclusão ainda não é definitiva. “Mais análises são necessárias para determinar com precisão os processos envolvidos na formação do sítio”, afirmam no estudo. A continuidade das investigações deve ajudar a esclarecer o papel exato da atividade humana e como ela contribuiu para moldar a paisagem local.
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