Quem se incomoda com o calor costuma esperar ansiosamente pela chegada do outono. A nova estação traz um clima mais fresco, abre a temporada de sopas e convida ao aconchego do lar. Mas, junto com o ar mais ameno, muita gente percebe outra mudança: o nariz entope com facilidade, os espirros ficam mais frequentes e a pele parece mais sensível do que o normal.
Para quem já convive com alergias, esse período pode ser especialmente desafiador. A mudança de estação altera o ambiente e influencia diretamente a forma como o organismo reage.
Com o ar mais seco, a queda de temperatura e a tendência de manter ambientes mais fechados, tanto o sistema respiratório quanto a pele ficam mais expostos a irritações. Para entender melhor o impacto da chegada do outono à saúde, AnaMaria conversou com especialistas, que detalharam como evitar crises alérgicas. Vamos lá?
Por que as alergias respiratórias aumentam no outono?
O outono reúne uma combinação de fatores que contribui para o aumento das alergias respiratórias. “No outono, mantemos janelas mais fechadas, usamos mais cobertores e guardamos roupas por longos períodos, e isso favorece a proliferação de ácaros e fungos. Além disso, o ar mais seco irrita a mucosa nasal, deixando o nariz mais sensível e reativo”, explica a otorrinolaringologista Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
Os ácaros liberam partículas invisíveis que, quando inaladas, podem ativar o sistema imunológico de pessoas predispostas. O organismo as interpreta como uma ameaça e desencadeia uma inflamação na mucosa nasal, provocando sintomas como espirros, coriza e sensação de nariz entupido.
Alergia ou resfriado? Como perceber a diferença
Embora alguns sinais sejam parecidos, existem diferenças importantes. No resfriado, é comum aparecer mal-estar geral, dor no corpo e até febre baixa. Segundo Roberta, o quadro viral costuma durar entre cinco e sete dias e pode incluir dor de garganta, dor de cabeça, tosse e nariz obstruído.
Já as crises alérgicas têm outro padrão. Elas costumam provocar espirros frequentes, coriza clara e abundante, coceira no nariz, nos olhos e na garganta, além de lacrimejamento. Quem já convive com rinite alérgica ou sinusite tende a sentir os efeitos da estação com mais intensidade, já que a mucosa nasal dessas pessoas costuma ser mais sensível.
Algumas medidas ajudam a reduzir os gatilhos das crises no dia a dia:
Lavar o nariz diariamente com soro fisiológico;
Evitar acúmulo de poeira em cortinas, tapetes e bichos de pelúcia;
Lavar roupas de cama semanalmente em água quente;
Manter os ambientes ventilados sempre que possível;
Umidificar o ambiente quando o ar estiver muito seco.
Sentindo o outono na pele
E não é apenas o sistema respiratório que sente a chegada do outono. A pele também pode reagir às mudanças do clima, muitas vezes com ressecamento, coceira e descamação.
Nariz entupido do nada? O motivo pode estar no ar do outono – Crédito: FreePik
Segundo a dermatologista Maria Paula Del Nero, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a redução da umidade do ar e a queda gradual da temperatura afetam diretamente a barreira natural da pele. Com menos umidade, a pele perde mais água e sua proteção natural fica comprometida. Isso facilita a entrada de irritantes e substâncias alergênicas, especialmente em pessoas com pele sensível ou histórico de dermatite.
Entre as manifestações mais comuns estão:
Coceira (prurido), muitas vezes mais intensa à noite;
Ressecamento acentuado;
Descamação fina;
Vermelhidão;
Placas eczematosas nas extremidades;
Fissuras, principalmente nas pernas.
Pequenos hábitos que ajudam a proteger a pele
Alguns hábitos comuns nos dias frios podem contribuir para o agravamento da sensibilidade da pele. Um dos principais é o banho muito quente e prolongado.
A água em temperaturas elevadas remove parte do manto hidrolipídico (camada protetora natural da pele) e altera o pH cutâneo, favorecendo processos inflamatórios.
A recomendação é simples: tomar banhos mornos e rápidos, usar produtos de limpeza suaves e aplicar hidratante logo após sair do chuveiro. Além disso, manter o consumo de água e usar protetor solar, mesmo nos dias nublados, são cuidados indispensáveis nessa época do ano.
Quando procurar atendimento médico
“A pessoa deve procurar avaliação quando os sintomas duram mais de 10 a 14 dias, há piora progressiva dos sintomas, o nariz entupido interfere no sono ou surge dor facial ou secreção espessa persistente”, orienta Roberta.
No caso da pele, o alerta aparece quando o incômodo deixa de ser leve ou passageiro. Coceira intensa, lesões extensas, fissuras dolorosas ou falta de melhora mesmo com hidratação básica indicam a necessidade de investigação médica.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1513, de 20 de março de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
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