Mudar hábitos é mais difícil do que parece e não é falta de informação, diz médico

Quando saber o que fazer não é suficiente

Em um mundo em que informações sobre saúde estão a poucos cliques de distância, pode parecer contraditório que tantas pessoas ainda tenham dificuldade em mudar seus hábitos. Alimentação equilibrada, prática de exercícios e sono adequado são temas amplamente divulgados e, ainda assim, colocá-los em prática continua sendo um desafio para grande parte da população.

A explicação, segundo o especialista, vai muito além da falta de informação. O problema está na forma como o corpo e a mente respondem à rotina moderna: cheia de pressões, estímulos constantes, cansaço acumulado e emoções que nem sempre são percebidas no dia a dia.

O peso da rotina moderna na saúde

O médico Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida médico, especialista em Medicina Interna e Nefrologia, fundador do GAHAS (Grupo de Atenção à Hipertensão e Síndrome Metabólica) e membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, explica que mudar hábitos não é apenas uma questão de decisão, mas de contexto. “Muitas vezes a pessoa sabe o que precisa fazer, mas não consegue sustentar isso no dia a dia por causa do estresse, da rotina e do próprio ambiente em que vive”, afirma.

Segundo ele, a transformação real acontece aos poucos, por meio de pequenas escolhas repetidas diariamente. Não são mudanças radicais que fazem a diferença, mas sim a constância.

Sono: o ponto de partida esquecido

Entre os pilares da saúde, o sono ocupa um papel central e muitas vezes subestimado. De acordo com o especialista, dormir mal não afeta apenas o cansaço no dia seguinte, mas desencadeia uma série de alterações no organismo.

A privação de sono pode interferir em hormônios, aumentar processos inflamatórios e impactar funções essenciais como controle da glicose, pressão arterial e regulação do peso corporal. Com o tempo, esses desequilíbrios aumentam o risco de doenças crônicas que envolvem coração, rins e metabolismo.

Quando o corpo fala em silêncio

O médico também chama atenção para a Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica (CKM), uma condição em que diferentes sistemas do corpo passam a funcionar de forma interligada e desequilibrada.

Entre os sinais mais comuns estão aumento da circunferência abdominal, pressão alta, alterações no colesterol e glicose, além de cansaço frequente. O mais preocupante, segundo ele, é que essa condição pode evoluir de forma silenciosa por anos. Sedentarismo, alimentação inadequada, estresse e falta de sono estão entre os principais fatores associados ao problema.

Pequenas mudanças que fazem diferença

Apesar dos riscos, o especialista reforça que não é preciso uma transformação radical para melhorar a saúde. Pelo contrário: o excesso de metas pode até dificultar a mudança de comportamento. “Quando a pessoa tenta mudar tudo de uma vez, geralmente não sustenta. O mais importante é a consistência”, destaca.

A inclusão de atividades físicas como parte de hábitos saudáveis. Foto: Reprodução da internet

Entre as recomendações estão manter horários regulares de sono, incluir atividade física na rotina, reduzir alimentos ultraprocessados e organizar melhor o dia a dia. Pequenos ajustes, quando mantidos, tendem a gerar resultados mais duradouros.

O impacto das emoções e das conexões

A saúde, segundo o médico, não depende apenas do corpo físico. Fatores emocionais e sociais também exercem influência importante. O convívio social, por exemplo, está associado a melhores indicadores de saúde cardiovascular e mental. Já o isolamento pode aumentar o risco de ansiedade, depressão e até doenças físicas.

Nesse contexto, a espiritualidade independentemente de religião  também pode ter um papel positivo, ajudando na redução da ansiedade e na construção de equilíbrio emocional.

Mudança de hábito como processo, não como meta

No fim das contas, mudar hábitos não é um evento isolado, mas um processo contínuo. Para o especialista, o erro mais comum é esperar resultados imediatos ou acreditar que a mudança depende apenas de força de vontade.

O corpo, no entanto, responde ao tempo, à repetição e ao ambiente. E é justamente nessa combinação  entre rotina, emoções e escolhas diárias que a saúde começa a se transformar de forma real e duradoura, concluiu.