A OpenAI passou a destacar sua parceria com a Amazon como um dos principais vetores de crescimento no mercado corporativo, ao mesmo tempo em que reconhece limitações em sua relação com a Microsoft. As declarações constam em um memorando interno enviado no domingo por Denise Dresser, chefe de receita da empresa, e obtido pela CNBC.
O documento foi divulgado menos de dois meses após a Amazon anunciar planos de investir até US$ 50 bilhões na OpenAI como parte de um acordo estratégico. Já a Microsoft, que aportou mais de US$ 13 bilhões desde 2019, segue sendo descrita como uma parceira central para a companhia.
Parceria com AWS amplia alcance no mercado corporativo
No memorando, Dresser afirma que a parceria com a Microsoft foi fundamental para o crescimento da OpenAI, mas também trouxe restrições na forma como a empresa atende clientes corporativos.
“Nossa parceria com a Microsoft foi fundamental para o nosso sucesso. Mas também limitou nossa capacidade de atender empresas onde elas já operam — para muitas, isso é o Bedrock”, escreveu a executiva, segundo a CNBC, se referindo à plataforma da Amazon Web Services (AWS) usada por empresas para acessar modelos de IA.
A AWS reúne modelos de inteligência artificial (IA), incluindo os da OpenAI, dentro da plataforma Bedrock, usada por empresas que já operam na nuvem da Amazon. Segundo Dresser, a procura por essa integração tem sido “francamente impressionante” desde o anúncio da parceria no fim de fevereiro.
Disputa no segmento empresarial se intensifica
A OpenAI busca ampliar participação no mercado corporativo, considerado estratégico para o setor. Segundo a CNBC, o modelo Claude, da rival Anthropic, vem ganhando destaque nesse segmento, enquanto o Gemini, do Google, também avança na disputa.
Durante a conferência HumanX, em San Francisco, o tema foi recorrente. Arvind Jain, CEO da startup Glean, descreveu o momento como “Claude mania”.
“Tornou-se uma religião, esse é o nível dessa mania”, afirmou o executivo em entrevista no evento, segundo a CNBC.
Ainda de acordo com a reportagem, OpenAI e Anthropic tentam reforçar suas posições junto a investidores enquanto se preparam para possíveis aberturas de capital ainda neste ano.
Críticas à estratégia da Anthropic
No memorando interno, Dresser também fez críticas diretas à Anthropic. Ela afirmou que a estratégia da concorrente se baseia em “medo, restrição e na ideia de que um pequeno grupo de elites deveria controlar a IA”, enquanto a OpenAI aposta em uma abordagem mais aberta.
A executiva também disse que a Anthropic cometeu um “erro estratégico” ao não garantir capacidade computacional suficiente. A avaliação reforça posicionamentos feitos pela OpenAI em outro memorando enviado a investidores na semana anterior, segundo a CNBC.
Relação com Microsoft mostra sinais de tensão
Apesar de ainda ser considerada estratégica por ambas as empresas, a parceria entre OpenAI e Microsoft apresenta sinais de desgaste à medida que as companhias passam a competir em algumas frentes.
Em meados de 2024, a Microsoft incluiu a OpenAI em sua lista de concorrentes no relatório anual. O documento tradicionalmente já citava empresas como Amazon, Apple, Google e Meta.
A OpenAI também tem buscado capacidade adicional com outros provedores de nuvem, como CoreWeave, Google e Oracle. Paralelamente, a Microsoft iniciou testes públicos de um modelo próprio de IA, com potencial para evoluir seu assistente Copilot.
Negócio corporativo ganha peso na receita
Segundo Dresser, o segmento empresarial já responde por cerca de 40% da receita da OpenAI e está “no caminho para alcançar paridade” com o negócio voltado ao consumidor até o fim do ano.
A executiva também destacou, no memorando, que o mercado pode ser “ruidoso, volátil e, às vezes, uma distração”, incentivando a equipe a manter o foco nos clientes.
“Ao mercado cabe a nós vencer. Vamos executar de acordo”, escreveu Dresser, segundo a CNBC.
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