Anthropic lança Claude Opus 4.7 para o público e prepara terreno para o poderoso Mythos

A Anthropic anunciou nesta quinta-feira (16) o lançamento global do Claude Opus 4.7. O novo modelo de inteligência artificial chega como uma atualização direta do Opus 4.6, apresentando saltos significativos em programação autônoma (agêntica), raciocínio multidisciplinar e capacidades visuais. No entanto, em um movimento incomum na indústria, a empresa admitiu que o modelo foi “treinado para ser menos capaz” em certas áreas sensíveis do que sua versão experimental mais potente, o Claude Mythos Preview.

Codificação e “Trabalho de Mundo Real”

De acordo com dados divulgados pela Anthropic, o Claude Opus 4.7 estabeleceu novos marcos em benchmarks de produtividade. No SWE-bench Pro, que avalia a capacidade da IA de resolver problemas reais de engenharia de software, o modelo atingiu 64,3% de aproveitamento, superando os 53,4% da versão anterior e os 57,7% do GPT-5.4 da OpenAI.

Os principais avanços técnicos incluem:

Seguimento de instruções: o modelo é muito mais literal. A empresa alerta que prompts antigos podem precisar de ajustes, já que a IA agora segue as ordens à risca em vez de interpretá-las livremente.

Níveis de esforço: foi introduzido o nível “xhigh” (extra alto), permitindo que desenvolvedores controlem melhor o equilíbrio entre a profundidade do raciocínio e a latência da resposta.

Visão de alta resolução: o Opus 4.7 agora suporta imagens de até 3,75 megapixels (2.576 pixels no lado maior), um aumento de três vezes em relação aos modelos anteriores, facilitando a análise de diagramas complexos e capturas de tela densas.

A estratégia do “freio de mão” cibernético

O lançamento do Opus 4.7 ocorre em um momento de intensa disputa narrativa sobre a segurança da IA. Enquanto o Claude Mythos Preview (modelo mais poderoso da casa) permanece restrito a um grupo seleto de empresas no programa Project Glasswing, o Opus 4.7 foi lançado com salvaguardas que detectam e bloqueiam automaticamente solicitações de alto risco cibernético.

A Anthropic afirmou que experimentou reduzir diferencialmente as capacidades cibernéticas do modelo durante o treinamento. A ideia é aprender com o uso do Opus 4.7 no mundo real para, no futuro, liberar modelos da classe “Mythos” com segurança comprovada.

Para profissionais de segurança que precisam realizar testes de intrusão legítimos ou pesquisas de vulnerabilidades, a empresa criou o Cyber Verification Program, um processo de triagem para liberar essas funções específicas.

Anthropic vs. OpenAI: abordagens opostas

O posicionamento da Anthropic marca um contraste direto com a estratégia da OpenAI. Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o recém-lançado GPT-5.4-Cyber seguiu um caminho mais “permissivo”, focando em democratizar o acesso de defensores a ferramentas de análise binária e engenharia reversa.

Enquanto a OpenAI aposta que dar ferramentas potentes aos “mocinhos” é a melhor defesa, a Anthropic prefere manter suas IAs mais ofensivas sob chaves rigorosas. Em comunicado oficial, a Anthropic reforçou que o Opus 4.7 é seu modelo mais capaz disponível para o público geral, mas que o Mythos Preview ainda detém a coroa de melhor alinhamento e segurança em seus testes internos.

Disponibilidade e preço

O Claude Opus 4.7 já está disponível para usuários do Claude (web e app), além de desenvolvedores via API. O modelo também foi integrado às plataformas de nuvem Amazon Bedrock, Google Cloud Vertex AI e Microsoft Foundry.

O preço permanece o mesmo praticado na versão 4.6: US$ 5 por milhão de tokens de entrada e US$ 25 por milhão de tokens de saída, conforme apurado pela CNBC.

Claude Opus 4.7: benchmark

Os números divulgados pela Anthropic mostram o Claude Opus 4.7 superando rivais como o GPT-5.4 e o Gemini 3.1 Pro em categorias críticas de programação e raciocínio avançado:

Benchmark do novo modelo da Anthropic, o Claude Opus 4.7 – Anthropic / Reprodução

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