O presidente da França, Emmanuel Macron, propôs, nesta quinta-feira (16), que adolescentes desconectem seus celulares e dediquem tempo à leitura, defendendo um “dia sem telas” mensal para todos e uma proibição completa de redes sociais para menores de 15 anos. A iniciativa segue o exemplo da Austrália, que implementou uma proibição pioneira de redes sociais para crianças no ano passado.
Um número crescente de países europeus está considerando suas próprias restrições, em meio a preocupações crescentes sobre o impacto das redes sociais na saúde e segurança de menores. “Deixamos vocês nesta selva e isso roubou sua atenção“, disse Macron aos estudantes do ensino médio, referindo-se à falta de regras sobre redes sociais.
“Precisamos desacelerar e ajudá-los a se tornarem adultos, e acima de tudo cidadãos“, afirmou o presidente. “É por isso que queremos dizer que antes dos 15 anos, chega de redes sociais. E gostaríamos, um dia por mês, de ter um dia offline… para mostrar que é possível“, acrescentou, sugerindo que esse dia poderia ser usado para leitura em voz alta, teatro ou outras atividades.
Projeto de lei em tramitação no parlamento francês
Na França, um projeto de lei está tramitando no parlamento com o objetivo de estabelecer uma proibição para menores de 15 anos;
Mas, enquanto a Câmara dos Deputados votou por uma proibição total, os senadores querem bloquear o acesso apenas para plataformas consideradas prejudiciais às crianças;
Isso significa que o objetivo de Macron de ter a nova legislação em vigor para o início do novo ano letivo em setembro pode não ser cumprido;
Até agora, pelo menos uma dúzia de países europeus, incluindo nações não pertencentes à União Europeia (UE), como Reino Unido e Noruega, promulgaram ou estão considerando legislação estabelecendo limites mínimos de idade — tipicamente entre 13 e 16 anos — para uso de redes sociais. A UE está preparando um aplicativo de verificação de idade.
O Chipre foi o mais recente país a anunciar planos para estabelecer uma proibição, com o presidente Nikos Christodoulides dizendo, também nesta quinta, que seu país definiria os 15 anos como idade mínima para criar e usar contas em plataformas de redes sociais.
Ainda nesta quinta, Macron deve participar de uma videochamada com outros líderes da UE para pressionar por uma abordagem coordenada. A conferência focou na criação de uma “maioria digital” na Europa, limitando o acesso para crianças abaixo de uma idade definida e exigindo verificação de idade, segundo autoridades.
Leia mais:
Saúde mental: dez dicas de como usar as redes sociais de maneira saudável
Como limitar conteúdo violento nas redes sociais
Reino Unido ameaça prender líderes de redes sociais caso não removam imagens explícitas
Reações mistas dos estudantes na França
Em Villers-Cotterets, no norte da França, onde Macron apresentou alguns de seus planos, estudantes do ensino médio tiveram reações mistas sobre uma proibição. “Acho que cabe principalmente aos pais cuidar de seus filhos”, disse Erdem Duran, de 12 anos, à Reuters. Fabien Andronic, de 15 anos, também discordou de uma proibição. “Gosto das redes sociais, aprendemos muito lá“, afirmou.
Mas Manel Zerouali, também de 15 anos, concordou com uma proibição para menores de 15 anos, para que possam ser protegidos. “Nas redes sociais há cyberbullying“, enfatizou.
Uma coisa em que todos concordaram foi que a maioria dos jovens encontraria uma maneira de contornar uma proibição. Segundo a Reuters, a Austrália viu um enorme aumento nos downloads de redes privadas virtuais (VPNs) desde que introduziu sua proibição de redes sociais, já que usuários buscam contornar a medida para acessar plataformas restritas.
Pressão do Reino Unido sobre plataformas
Enquanto isso, no Reino Unido, o primeiro-ministro, Keir Starmer, disse às empresas de redes sociais nesta quinta para assumirem responsabilidade pela segurança das crianças em suas plataformas e atenderem às demandas dos pais por proteção credível, em vez de “ajustes superficiais“.
Ele disse que queria ouvir quais ações as plataformas iriam tomar porque “neste momento, as redes sociais estão colocando nossas crianças em risco“, no início de uma reunião com executivos de Meta, Snap, Google, TikTok e X.
O Reino Unido está consultando até o próximo mês sobre a possibilidade de restringir o acesso de crianças às redes sociais, incluindo uma possível proibição para menores de 16 anos, bem como toques de recolher, limites de tempo de aplicativo e restrições ao que descreveu como recursos de design viciantes.
O post Presidente da França pede que jovens fiquem menos no celular apareceu primeiro em Olhar Digital.





