Justiça Francesa convoca Elon Musk para depor em investigação sobre X e GrokAI

O empresário Elon Musk foi convocado pela Justiça Francesa para depor, nesta segunda-feira (20), sobre as investigações acerca da rede social X. As autoridades acusam o algoritmo do X de influenciar o discurso político dos usuários na França.

Ademais, outras acusações foram anexadas à pasta, como a de que, supostamente, o chatbot GrokAI promoveu informações que negam a existência do Holocausto judeu, além da criação de deepfakes sexualmente explícitos (incluindo material de menores de idade).

Vale lembrar que no início de fevereiro, o escritório do X em Paris (França) sofreu uma operação de busca e apreensão, deflagrada por promotores franceses com apoio da Interpol. A empresa negou qualquer irregularidade e classificou a ação como motivada por interesses políticos e por uso indevido do aparato judicial.

Para quem tem pressa:

Elon Musk e a ex-CEO do X, Linda Yaccarino, foram convocados a prestar esclarecimentos à justiça francesa;

O motivo disso são as acusações de o Grok, chatbot do X, ter influenciado a opinião dos usuários quanto a contextos e decisões políticas;

Além disso, o chatbot também foi acusado de despir, digitalmente, mulheres e crianças.

Mais detalhes sobre as investigações

Bilionário faz lobby por seu chatbot e o atrela ao IPO da SpaceX (Imagem: miss.cabul/Shutterstock) – Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Além de Elon Musk, uma das ex-funcionárias do X também foi convocada: Linda Yaccarino, a qual atuou como CEO de maio de 2023 a julho de 2025.

Segundo as autoridades francesas, a convocação de ambos é muito importante porque “o objetivo dessas audiências voluntárias dos executivos é permitir que apresentem sua posição em relação aos fatos e, quando apropriado, as medidas de conformidade que planejam implementar.

Consoante o EuroNews, os promotores acrescentaram que, nesta fase, a condução da investigação faz parte de uma abordagem construtiva, com o objetivo final de garantir que a rede X cumpra a lei francesa, na medida em que opera em território francês.

A justiça francesa classifica a presença deles como voluntária, desta forma, o não comparecimento deles para depor “não prejudicaria” o andamento das investigações.

O EuroNews ainda informa que a promotora pública de Paris, Laure Beccuau, convocou os funcionários do X na condição de testemunhas para serem ouvidos entre 20 e 24 de abril.

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Início das investigações

Empresa corre atrás do aumento de receita (Imagem: ShutterStockies/Shutterstock)

A promotoria iniciou as investigações sobre a suposta má conduta do X após denúncias de um chefe de um “organismo público de cibersegurança”. Em seguida, essa mesma denúncia ganhou força após a disseminação viral de uma mensagem atribuída ao GrokAI.

Na mensagem, o chatgot teria alegado que as câmaras de gás em Auschwitz-Birkenau foram “projetadas para desinfecção com Zyklon B contra tifo“, uma justificativa atrelada à negação da existência do Holocausto judeu. O EuroNews informa que as publicações foram removidas da plataforma pouco tempo depois e que o erro presente nas mensagens foi reconhecido.

Já no início do ano, a França e a Índia denunciaram o Grok por gerar conteúdo sexual no X para despir, digitalmente, mulheres e crianças. Na época, o jornal Reuters entrevistou a brasileira Julie Yukari (de 31 anos), vítima de um dos episódios de conteúdo ilegal.

Na entrevista, a mulher conta que postou uma foto sua, vestida e deitada em uma cama, mas que usuários solicitaram ao Grok que a deixassem apenas de biquíni. Pouco tempo depois, a assessoria da rede social divulgou um esclarecimento, informando que novas medidas de segurança foram implementadas para prevenir que tais episódios não ocorressem no futuro.

Cresce a preocupação sobre o que a IA pode fazer

Ilustração de uma IA controlada um sistema de software (Reprodução: DALL-E/ChatGPT) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

As acusações envolvendo o Grok surgem em meio a um cenário de escrutínio global cada vez mais intenso.

Segundo o Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH), entidade independente que monitora abusos online, a ferramenta teria produzido cerca de três milhões de imagens de teor sexual em apenas onze dias — a maioria envolvendo mulheres — além de aproximadamente 23 mil que aparentam retratar menores.

No Reino Unido, a autoridade responsável pela proteção de dados abriu, em fevereiro, um inquérito sobre a X e a xAI, apontando preocupações relevantes quanto ao cumprimento das normas de privacidade.

Já a União Europeia deu início a uma apuração própria focada na criação de deepfakes de caráter sexual envolvendo mulheres e crianças.

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