Os acionistas da Warner Bros. Discovery deram sinal verde, nesta quinta-feira (23), para a bilionária proposta de fusão com a Paramount Skydance. O negócio, avaliado em US$ 110 bilhões, deve redesenhar o cenário de mídia e streaming global, consolidando marcas icônicas sob uma única gestão.
Apesar do apoio massivo à transação, houve um ponto de discórdia: os investidores votaram contra os planos de remuneração dos executivos atrelados ao negócio. De acordo com a Reuters, o CEO David Zaslav pode receber um bônus de até US$ 887 milhões caso a venda seja concluída – valor classificado como “extremamente alto” pela ISS, uma consultoria global que orienta o voto de grandes investidores sobre a governança das empresas.
O desafio regulatório e a pressão do mercado
Com a aprovação interna garantida, o foco da companhia agora se volta para os órgãos reguladores. Autoridades em Washington e Londres devem analisar minuciosamente o impacto da fusão na livre concorrência.
Em março, o Departamento de Justiça dos EUA já havia emitido intimações em busca de dados sobre como a união afetará:
A produção de grandes estúdios;
O licenciamento de direitos de conteúdo;
A competição no setor de streaming;
O mercado de salas de cinema.
Conforme explicou Mike Proulx, diretor de pesquisa da Forrester, à Reuters, a maior pressão pode vir do exterior, onde autoridades europeias focarão no impacto estrutural do mercado.
David Ellison e a nova ordem de Hollywood
A Paramount Skydance, liderada por David Ellison, venceu uma disputa de meses contra a Netflix pela aquisição da Warner Bros. A vitória coloca Ellison como uma das figuras mais poderosas em uma indústria de entretenimento que passa por um intenso processo de contração.
Contudo, o otimismo corporativo não é unânime. Mais de 4.000 profissionais do cinema e consumidores assinaram uma carta aberta expressando preocupação de que a fusão resulte em:
Menos oportunidades criativas;
Redução de postos de trabalho;
Menor diversidade de escolha para o público.
Em comunicado oficial citado pela Reuters, um porta-voz da Paramount afirmou que a aprovação dos acionistas é um “marco importante” para a conclusão do negócio. A expectativa é que a transação seja finalizada no terceiro trimestre de 2026, transformando definitivamente o catálogo e a distribuição de conteúdos da HBO, CNN, Warner e Paramount.
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