A empresária Bianca Naufel Saliba, de 43 anos morreu na última segunda-feira (20) depois de realizar três procedimentos estéticos no mesmo dia em um hospital localizado na zona sul de São Paulo (SP). A mulher passou por lipoescultura, abdominoplastia e mastopexia de forma simultânea. O caso, registrado como morte suspeita, segue sob investigação.
De acordo com informações apuradas pelo Estadão, o marido de Bianca relatou que a esposa pesquisou por meses antes de decidir fazer as cirurgias e escolheu o cirurgião plástico Seung Lee para realizar os procedimentos.
Segundo informações médicas, a cirurgia ocorreu sem intercorrências e terminou por volta das 21h. Em seguida, Bianca foi encaminhada à sala de Recuperação Pós-Anestésica (RPA), onde acordou e pediu que avisassem o marido.
No entanto, logo depois, ela apresentou um quadro repentino de engasgo e dificuldade para respirar. A equipe médica iniciou procedimentos de emergência, incluindo intubação e manobras de reanimação cardiopulmonar, que duraram cerca de 1 hora e 40 minutos.
Conforme o boletim de ocorrência (B.O.), o médico Seung Lee afirmou que atua há aproximadamente 10 anos com cirurgias estéticas e reparadoras e que essa foi a primeira morte registrada sob sua responsabilidade.
Ainda segundo o documento, um representante do Hospital Saint Peter informou que a instituição autoriza equipes médicas a realizarem cirurgias plásticas eletivas, desde que possuam Registro de Qualificação de Especialista (RQE), exigência necessária para esse tipo de procedimento.
O hospital também declarou que o médico trabalha na unidade há cerca de oito anos, realizando em média de duas a três cirurgias por semana, sem histórico anterior de complicações.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que o caso foi registrado como morte suspeita e está sendo investigado pelo 16º Distrito Policial (Vila Clementino).
Cirurgias plásticas combinadas apresentam risco?
Muitas pacientes escolhem realizar mais de um procedimento estético na mesma cirurgia. Essa estratégia reduz o tempo total de recuperação e evita múltiplas internações. No entanto, especialistas alertam que as cirurgias plásticas combinadas exigem critérios rigorosos.
Segundo o cirurgião plástico Christian Ferreira, a combinação de técnicas está associada ao aumento de complicações graves, incluindo embolia gordurosa e tromboembolismo venoso.
Quando o tempo cirúrgico se prolonga, o corpo enfrenta maior desgaste. Procedimentos com tempo cirúrgico superior a seis horas têm maior probabilidade de complicações respiratórias, trombóticas e anestésicas. O tempo total em centro cirúrgico, que pode incluir preparo e recuperação, pode ultrapassar sete horas em alguns casos.
Christian ressalta que o perfil clínico do paciente é determinante para a segurança da cirurgia. “Quando bem planejadas, as cirurgias combinadas podem ser realizadas com segurança. Mas é indispensável que o paciente tenha exames laboratoriais e cardiológicos normais, boa composição corporal, ausência de comorbidades e não seja fumante”, diz.
No caso de Bianca, a cirurgia teria transcorrido dentro da normalidade até o pós-operatório. Entretanto, ela apresentou um quadro súbito de dificuldade respiratória, o que exigiu medidas emergenciais.
Avaliação médica e estrutura hospitalar
Antes de qualquer decisão, a avaliação pré-operatória precisa ser completa. Para evitar complicações como as relatadas, é essencial que o paciente adote critérios rigorosos na escolha do profissional que irá conduzir o procedimento.
A recomendação dos especialistas é verificar, antes de tudo, se o médico é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), entidade responsável por certificar profissionais com formação adequada e conduta ética comprovada.
Outro ponto essencial envolve a estrutura do hospital. O profissional orienta que o paciente investigue o histórico do profissional e a estrutura em que a cirurgia será realizada. “Não basta o médico ser conhecido nas redes sociais ou ter muitos seguidores. É fundamental confirmar se ele possui título de especialista, registro ativo e se opera em hospitais com suporte adequado para emergências”, afirma.
Outros pontos importantes incluem:
Conferir se a cirurgia será realizada em hospital com centro cirúrgico credenciado pela Anvisa;
Solicitar referências de outros pacientes e pesquisar sobre processos ou denúncias;
Avaliar a clareza das informações fornecidas na consulta, especialmente sobre riscos, limites da técnica e tempo de recuperação;
Observar se há equipe multidisciplinar envolvida (anestesista, enfermagem, fisioterapia);
Checar a política de acompanhamento pós-operatório, considerada essencial para detectar complicações precoces.
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