Dados recentes do Vigitel 2026 acenderam um alerta importante: embora mais brasileiros relatem hábitos saudáveis, os casos de pressão alta continuam crescendo. A taxa de hipertensão saltou de 22,6% para 29,7% em 2024, revelando um paradoxo que intriga especialistas e preocupa a saúde pública.
Ronaldo Gismondi, cardiologista e diretor médico da Afya, explica o que está por trás do aumento da hipertensão no Brasil. Segundo ele, a relação entre estilo de vida, excesso de peso e rotina moderna ajuda a entender por que, mesmo com mais exercícios, o problema segue em alta.
Nos últimos anos, o número de pessoas que praticam ao menos 150 minutos de atividade física por semana aumentou. No entanto, ao mesmo tempo, o excesso de peso disparou de forma preocupante. Esse contraste ajuda a explicar o avanço da hipertensão.
De acordo com o especialista, a obesidade influencia diretamente o aumento da pressão arterial. Isso porque o acúmulo de gordura provoca alterações metabólicas que elevam tanto a pressão quanto os níveis de glicose no sangue. Como resultado, o risco de doenças como diabetes também cresce.
A boa notícia é que a perda de peso pode reverter esse quadro. Em muitos casos, pacientes que tratam a obesidade conseguem controlar ou até eliminar a pressão alta.
Alimentação, sono e estresse também entram na conta
Embora a prática de exercícios tenha aumentado, outros hábitos ainda comprometem a saúde cardiovascular. Por exemplo, o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em sódio segue elevado, enquanto a ingestão de frutas e verduras continua abaixo do ideal.
Ao mesmo tempo, fatores como sono insuficiente e estresse constante também impactam o controle da hipertensão. Atualmente, uma parcela significativa da população dorme menos de seis horas por noite ou apresenta sintomas de insônia — condições que favorecem o aumento da pressão arterial.
Portanto, não basta apenas se exercitar. É fundamental equilibrar diferentes pilares da saúde para evitar o agravamento da doença.
Mais saudáveis, porém mais hipertensos: o que está por trás dos dados? – Crédito: FreePik
Silenciosa, a pressão alta exige atenção constante
Um dos maiores perigos da hipertensão está justamente na ausência de sintomas. Na maioria dos casos, a doença evolui de forma silenciosa, causando danos progressivos ao organismo. “A pessoa tem pressão alta no dia a dia, não sente nada, e isso vai lesando os órgãos ao longo do tempo”, alerta o cardiologista.
Entre as principais complicações estão AVC, infarto, insuficiência cardíaca, problemas renais e até perda de visão. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença.
Mesmo assim, alguns sinais podem surgir, como dores de cabeça frequentes, tontura, visão turva e sangramentos nasais. Nesses casos, é essencial buscar avaliação médica.
Para prevenir ou controlar a hipertensão, o especialista recomenda medir a pressão regularmente, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios, dormir bem e reduzir o estresse. Além disso, quem já recebeu diagnóstico deve seguir corretamente o tratamento indicado.
Resumo: Mesmo com mais hábitos saudáveis, a hipertensão cresce no Brasil devido ao aumento da obesidade e outros fatores. A doença é silenciosa e pode causar complicações graves. Equilíbrio entre alimentação, sono e exercícios é essencial. O diagnóstico precoce continua sendo a melhor forma de prevenção.
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