A Prefeitura de São Paulo lançou no dia 23 de abril o projeto Boulevard São João, que prevê a instalação de grandes painéis de LED no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João. A iniciativa, apelidada de “Times Square paulistana”, também inclui programação cultural e fechamento da via aos fins de semana.
A proposta foi viabilizada por meio de um termo de cooperação entre a gestão municipal e o grupo Fábrica de Bares, responsável por estabelecimentos como o Bar Brahma. O projeto se apoia em um instrumento da Lei Cidade Limpa que permite exceções à publicidade externa mediante contrapartidas urbanas e tem início previsto entre agosto e setembro.
Como vai funcionar?
Estão previstas as instalações de quatro painéis de LED em edifícios no entorno do cruzamento, sendo eles: Cine Paris República, Edifício Herculano de Almeida, Galeria Sampa e Edifício New York. O maior deles deve ocupar quase toda a fachada do Edifício New York, com cerca de 40 metros de largura por 25 de altura.
Projeção prevista para o Edifício New York, feita pelo Estúdio SarasáEstúdio Sarasá/Prefeitura de São Paulo/Reprodução
O Edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma, não receberá telão por ser tombado, mas deve ter projeções mapeadas na fachada. A execução ficará a cargo do Estúdio Sarasá, empresa brasileira especializada em conservação, restauro e zeladoria do patrimônio cultural.
Projeto do Estúdio Sarasá mostra a locação dos painéis a serem instaladosEstúdio Sarasá/Prefeitura de São Paulo/Reprodução
Os painéis poderão funcionar das 5h às 23h, com controle de luminosidade e regras como a proibição de animações rápidas ou que simulem movimento. Cada imagem deverá permanecer no ar por, no mínimo, dez segundos.
Do total exibido, até 30% poderá ser destinado a mensagens de patrocinadores, enquanto os outros 70% devem ser ocupados por conteúdos culturais e de utilidade pública. Estão vetados anúncios de varejo, apostas, conteúdo adulto, violência e mensagens de teor político ou religioso.
Além dos telões, o projeto inclui o fechamento do cruzamento das avenidas Ipiranga e São João para veículos das 18h de sábado às 23h de domingo. Nesse período, o espaço deve receber quatro palcos para apresentações musicais, além de feiras gastronômicas, de artesanato e um espaço pet. Também estão previstos eventos mensais de maior porte, com temas ligados ao calendário da cidade, como a Virada Cultural e festas juninas.
É possível conferir as diretrizes e as imagens do projeto no drive disponibilizado pela Prefeitura.
Investimento e Lei Cidade Limpa
O custo total da intervenção é estimado em cerca de R$ 42 milhões, financiados integralmente pela iniciativa privada. Em contrapartida, o acordo prevê investimentos de aproximadamente R$ 8 milhões em melhorias urbanas em um perímetro de 42 mil m² ao longo da Avenida São João no prazo de até três anos.
Entre as ações previstas estão o restauro de patrimônios históricos – como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Estátua da Mãe Preta e o Relógio de Nichile -, além da instalação de bancos e lixeiras e de intervenções paisagísticas com plantio de árvores.
Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Largo do Paissandu, está entre os patrimônios que devem passar por restauroWebysther/Wikimedia Commons
A proposta reacende a discussão sobre os limites da Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2006, durante a gestão do então prefeito Gilberto Kassab. A legislação restringiu a publicidade externa na capital e é frequentemente citada como um marco na redução da poluição visual na cidade.
Embora o Boulevard São João tenha sido aprovado pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), responsável por avaliar exceções, a iniciativa levanta questionamentos sobre possíveis precedentes. Nesse contexto, Kassab afirmou que será “radicalmente contra” o projeto caso ele contrarie a lei.
Repercussão nas redes
O projeto repercutiu após o governador Tarcísio publicar um vídeo produzido com inteligência artificial, que apresentou uma dimensão diferente da proposta aprovada pelos órgãos municipais, com mais painéis e maior movimentação.
A iniciativa tem gerado críticas nas redes sociais, concentradas principalmente nos telões. Parte dos comentários questiona a efetividade da proposta, aponta risco de aumento da poluição visual e defende prioridade para demandas como moradia, segurança, arborização e zeladoria.
Também há preocupações com a descaracterização do Centro, com a avaliação de que intervenções mais discretas poderiam valorizar mais a arquitetura da região. Outros usuários levantam dúvidas sobre o cumprimento da Lei Cidade Limpa e sobre a possibilidade de o projeto abrir precedente para iniciativas semelhantes em outras áreas da cidade. Há ainda quem classifique a iniciativa como “cafona”.
Por outro lado, defensores afirmam que a ocupação cultural pode contribuir para reativar o Centro de São Paulo.
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