‘Microlua’ das flores: primeira das duas luas cheias de maio começa nesta sexta

Nesta sexta-feira (1), a Lua chega à fase cheia. Isso acontece às 14h23 (pelo horário de Brasília), de acordo com o guia de observação astronômica InTheSky.org. Este mês, o fenômeno tem um diferencial: trata-se de uma ‘microlua’. 

Ainda de acordo com a plataforma, quando estiver 100% cheia, a Lua estará a cerca de 402 mil km da Terra. Já na segunda-feira (4), quando atingir o apogeu (ponto mais longe do planeta em sua órbita atual), a distância será de 405.841 km.

Nos EUA, a lua cheia de maio é chamada de Lua das Flores – Crédito: Marina Kuma – Shutterstock

Por que ‘microlua’?

Agora, para entender por que a Lua cheia deste mês pode ser chamada popularmente de ‘microlua’, precisamos levar em conta pelo menos um dos três critérios que determinam esse conceito:

Lua cheia ocorrer no mesmo dia do apogeu;

Lua cheia ocorrer com a lua a mais de 405 mil km de distância da Terra;

Lua cheia ocorrer com uma distância superior a 90% da diferença entre perigeu (ponto mais próximo da Terra) e apogeu para a órbita atual.

Neste caso, o critério que se enquadra é o terceiro, explicado no infográfico abaixo:

Infográfico mostra por que a Lua cheia de 1º de maio de 2026 é considerada uma ‘microlua’ – Crédito: Marcelo Zurita/Flavia Correia/Gemini/Olhar Digital

Confuso? Um pouco. Mas, resumidamente, a lua cheia de maio de 2026 vai estar menor no céu do que as demais luas cheias do ano.

A distância da Lua em relação à Terra varia porque sua órbita não é perfeitamente circular – é ligeiramente oval, traçando um caminho conhecido por elipse. À medida que o satélite atravessa esse caminho elíptico ao redor do planeta a cada mês, sua distância varia 14%, entre 356.500 km no perigeu (aproximação máxima) e 406.700 km no apogeu.

“Esses valores são médios porque, na prática, variam bastante devido às influências gravitacionais do Sol e dos outros planetas do Sistema Solar” diz Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital. O tamanho angular do astro também varia pelo mesmo fator, e seu brilho também se altera.

Comparativo do tamanho aparente da Lua cheia – Crédito: InTheSky.org

O tempo do circuito perigeu-apogeu-perigeu da Lua é de 27,55 dias. Isso é um pouco mais do que seu período orbital, que é de 27,322 dias. “Esse período é chamado de mês sideral, e é diferente do mês sinódico, que é o período de 29,5 dias entre duas novas, porque como a Terra também está girando em torno do Sol, a Lua precisa de um pouco mais de uma volta para apresentar o mesmo alinhamento com o Sol, e consequentemente, a mesma fase”, explica Zurita.

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Por que “Lua das Flores”?

A lua cheia de maio é chamada de “Lua das Flores”. De acordo com o Old Farmer’s Almanac (Almanaque do Velho Fazendeiro), uma das publicações mais tradicionais dos EUA voltadas à vida no campo, a lua cheia de cada mês do ano tem uma designação própria. 

Luas cheias de 2026:

3 de janeiro: Wolf Moon (Lua do Lobo) – Superlua;

1 de fevereiro: Snow Moon (Lua de Neve);

3 de março: Worm Moon (Lua de Minhoca);

2 de abril: Pink Moon (Lua Rosa);

1 de maio: Flower Moon (Lua das Flores) – Microlua;

31 de maio: Blue Moon (Lua Azul) – Microlua;

29 de junho: Strawberry Moon (Lua de Morango) – Microlua;

29 de julho: Buck Moon (Lua dos Cervos);

28 de agosto de 2025: Sturgeon Moon (Lua do Esturjão); 

26 de setembro: Harvest Moon (Lua da Colheita);

26 de outubro: Hunter’s Moon (Lua do Caçador);

24 de novembro: Beaver Moon (Lua do Castor) – Superlua;

24 de dezembro: Cold Moon (Lua Fria) – Superlua.

Duas imagens da lua capturadas em maio e dezembro de 2021 em Calcutá, Índia, apresentam uma comparação entre o tamanho aparente da superlua (à esquerda) e da microlua (à direita). Ambas as imagens foram capturadas com a mesma câmera e lente na mesma distância focal para uma comparação fiel de seus tamanhos – Crédito: Soumyadeep Mukherjee

Ainda segundo a publicação, a nomenclatura “Lua das Flores” está relacionada ao fato de que, no Hemisfério Norte, maio é uma época de intensa floração. Nativos de outras partes do mundo dão outros nomes para a lua cheia de maio:

Chinês: Lua do Dragão;

Celta: Lua Brilhante;

Wiccano: Lua da Lebre;

Cherokee: Lua do Plantio;

Hemisfério Sul: Lua do Castor, Lua da Geada.

Zurita explica que não faz muito sentido para nós, no Brasil, chamar a Lua cheia de maio de Lua das Flores. “Afinal, ela ocorre durante o outono no hemisfério sul. Para nossa cultura ancestral, essa época do ano é marcada pela chegada dos ventos e do frio”. 

Segundo o especialista, nesse período, até hoje, os povos tupis celebram o Festival de Ara Ymã, com atividades e rituais que fortalecem a espiritualidade e a relação com a terra. “Dessa forma, para nós, faria muito mais sentido se chamássemos a Lua cheia de maio de ‘Lua de Ara Ymã’ ou simplesmente ‘Lua do Frio’. E no caso de 2026, também caberia muito bem uma ‘Lua do Trabalhador’, já que ela chega em sua fase cheia justamente no dia do em que se homenageia aqueles que produzem as riquezas e o desenvolvimento do país”.

É importante destacar que, neste ano, maio terá duas luas cheias (conforme listado acima). Quando essa fase é atingida duas vezes em um mesmo mês, a segunda é chamada de “Lua Azul” (sem que isso tenha qualquer relação com a coloração do astro).

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