O programa Artemis, da NASA, acaba de dar mais um passo importante rumo ao retorno da humanidade à Lua. Um modelo em tamanho real do módulo lunar Blue Moon Mark 2, desenvolvido pela Blue Origin, foi instalado no Centro Espacial Johnson, em Houston, nos Estados Unidos, e já está pronto para começar a receber astronautas em treinamento.
A estrutura foi montada dentro da Instalação de Simulação de Veículos Espaciais (SVMF), um local usado pela NASA para treinar tripulações antes das missões espaciais. Até então, o destaque da área era o simulador da cápsula Orion, veículo usado para transportar astronautas do programa Artemis até a órbita lunar.
Agora, a maquete do Blue Moon passa a dividir espaço com a Orion. A novidade permitirá que os astronautas pratiquem a transição entre as duas espaçonaves, algo essencial para futuras missões à Lua. O treinamento simula as operações reais que serão realizadas durante as viagens do programa Artemis.
Representação artística do módulo de pouso Blue Moon, da Blue Origin, que deve ser usado na missão Artemis 5 à Lua – Crédito: Blue Origin
Blue Origin e SpaceX estão atrasadas
O Blue Moon MK2 foi escolhido pela NASA como um dos veículos responsáveis por levar astronautas até a superfície lunar. O outro módulo selecionado é a Starship, da SpaceX. Os dois projetos fazem parte do programa Sistema de Pouso Humano (HLS), criado para desenvolver os novos pousadores lunares da agência espacial.
Tanto a Blue Origin quanto a SpaceX enfrentam atrasos no desenvolvimento de seus veículos. Agora, o Blue Moon saiu na frente ao instalar um modelo de treinamento dentro de uma instalação oficial da NASA. A Starship já passou por alguns testes com astronautas, mas eles ocorreram apenas em instalações da própria SpaceX.
O módulo lunar da Blue Origin terá cerca de 16 metros de altura. Diferentemente da Starship, que possui uma cabine localizada em uma posição muito elevada, o Blue Moon foi projetado com a área da tripulação mais próxima do solo lunar. Isso pode facilitar a entrada e saída dos astronautas durante as missões.
A full-scale prototype of the crew cabin of Blue Origin’s Blue Moon Mark 2 crew lander is now operational for training and testing at @nasa_johnson!
Read how we will be using this crew cabin for simulations to prepare for future Artemis missions >> https://t.co/Lo5tcckxUT pic.twitter.com/2OvYoXqyRZ
— NASA Marshall (@NASA_Marshall) May 8, 2026
A expectativa da NASA é realizar a missão Artemis 3 até o final de 2027. Nessa etapa, quatro astronautas viajarão a bordo da cápsula Orion. A missão servirá para testar sistemas, realizar manobras de acoplamento e verificar equipamentos essenciais, como comunicação e suporte à vida.
Além das espaçonaves, os novos trajes espaciais da Axiom Space também deverão ser usados nas próximas missões. Porém, esses equipamentos igualmente acumulam atrasos, aumentando os desafios para o cronograma do programa Artemis.
NASA quer pousar humanos na Lua em 2028
Se tudo ocorrer dentro do planejado, a NASA pretende realizar um pouso tripulado na Lua durante a missão Artemis 4, prevista para 2028. A agência ainda avalia a possibilidade de repetir a operação na Artemis 5, também no mesmo período.
O novo programa lunar funciona de maneira diferente das antigas missões Apollo. Nos anos 1960 e 1970, os módulos lunares eram divididos em duas partes: uma permanecia na Lua e apenas uma pequena seção retornava ao espaço. Agora, a NASA quer reutilizar os veículos e evitar deixar grandes estruturas abandonadas na superfície lunar.
Para isso, tanto o Blue Moon quanto a Starship precisarão operar de forma mais complexa. As espaçonaves terão de pousar na Lua e depois retornar completas para a órbita lunar, levando os astronautas de volta à cápsula Orion.
Esse modelo exige algo ainda não testado no espaço: o reabastecimento de grandes veículos usando combustíveis criogênicos, armazenados em temperaturas extremamente baixas. As empresas precisarão demonstrar que conseguem transferir e armazenar esses propelentes no espaço durante longos períodos sem perdas significativas.
Antes de transportar astronautas, a NASA também exige que os módulos realizem missões não tripuladas bem-sucedidas na Lua. Somente depois dessas demonstrações os veículos poderão receber autorização para voos tripulados.
O simulador do módulo Blue Moon instalado em Houston ainda não representa a versão final da espaçonave. Segundo a NASA, o protótipo será usado para avaliar detalhes do projeto e recolher opiniões dos astronautas enquanto o desenvolvimento continua.
Enquanto isso, a Blue Origin segue avançando com outra versão do veículo, chamada Blue Moon MK1. Essa variante menor, voltada para transporte de cargas, já concluiu testes em câmara de vácuo e foi enviada para instalações próximas ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
A empresa pretende lançar a MK1 ainda este ano usando o foguete New Glenn. A missão será não tripulada e tentará pousar na Lua pela primeira vez. No entanto, o cronograma ainda pode sofrer atrasos após problemas registrados no voo mais recente do foguete, que está sob investigação da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).
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