Saúde feminina: condição comum que afeta 70% das mulheres ganha novo nome

Uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva acaba de passar por uma mudança importante. A antiga Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) agora recebe o nome de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A decisão, publicada na revista científica The Lancet, surgiu após um amplo consenso internacional sobre a saúde feminina envolvendo especialistas, entidades médicas e pacientes.

Segundo os pesquisadores, o termo antigo não representava corretamente a condição e ainda dificultava o entendimento sobre os impactos da síndrome no organismo feminino. O nome levava muitas mulheres a acreditarem que o problema afetava apenas os ovários, quando, na prática, ele também interfere no metabolismo, na pele, nos hormônios e até na saúde emocional.

Motivo da mudança de nomenclatura

O principal motivo para a troca está na palavra “policísticos”. Apesar de fazer parte do nome durante décadas, o termo gerava interpretações equivocadas. Isso porque os chamados “cistos” observados no ultrassom não são cistos patológicos de fato. Na maioria dos casos, os exames mostram pequenos folículos interrompidos no processo de desenvolvimento.

Por causa dessa confusão, muitas pacientes demoravam para receber o diagnóstico correto. De acordo com o artigo publicado em The Lancet, até 70% das mulheres afetadas continuam sem diagnóstico. Consequentemente, várias delas convivem durante anos com ciclos menstruais irregulares, acne, aumento de pelos, dificuldade para engravidar e alterações metabólicas sem compreender a origem dos sintomas.

Além disso, especialistas acreditam que o novo nome ajuda médicos e pacientes a enxergarem a síndrome de forma mais ampla. Afinal, a SOMP não envolve apenas questões ginecológicas. Ela também pode se relacionar à resistência à insulina, ganho de peso e maior risco cardiovascular.

O que muda após a troca do nome da SOP?

Apesar da repercussão, a atualização não altera os critérios médicos já utilizados atualmente. Ou seja, o diagnóstico continua considerando sinais como ovulação irregular, excesso de hormônios androgênicos e alterações ovarianas identificadas por exames.

Nas mulheres adultas, os médicos seguem avaliando pelo menos dois desses três critérios, após excluir outras doenças hormonais. Já entre adolescentes, os especialistas mantêm uma análise mais cuidadosa e exigem os três critérios simultaneamente.

O tratamento também permanece semelhante. Dependendo do quadro, os médicos podem indicar anticoncepcionais hormonais, medicamentos para melhorar a resistência à insulina, controle hormonal e estímulo da ovulação. Entretanto, cada paciente precisa de acompanhamento individualizado, já que a síndrome se manifesta de maneiras diferentes.

Além dos medicamentos, mudanças no estilo de vida continuam exercendo papel fundamental no controle da condição. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do peso corporal ajudam diretamente no funcionamento hormonal e metabólico. Inclusive, perdas moderadas de peso já conseguem melhorar a ovulação e regularizar os ciclos menstruais em muitas mulheres.

Resumo: A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) agora passa a se chamar Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança busca representar melhor os impactos hormonais e metabólicos da condição. Apesar do novo nome, diagnóstico e tratamento continuam os mesmos. Especialistas acreditam que a atualização pode facilitar o reconhecimento precoce da síndrome.

Leia também:

Esta doença, que antes era muito comum entre homens, está surgindo mais em mulheres