Energia solar deve dominar em 2035, mas data centers de IA manterão combustíveis vivos

A energia solar deve se tornar a maior fonte de eletricidade do planeta até 2035 por razões puramente econômicas. Esse avanço histórico na matriz energética global vai ocorrer de forma paralela ao crescimento expressivo do consumo de eletricidade, impulsionado pela expansão dos data centers de inteligência artificial (IA) e pela eletrificação de setores industriais.

No entanto, por causa da capacidade de operar de forma ininterrupta (24 horas por dia, sete dias por semana), os combustíveis fósseis ainda vão fornecer 51% da geração incremental exigida por esses data centers até 2050. 

Essa dependência contínua faz com que as empresas de tecnologia e os desenvolvedores de infraestrutura exerçam uma influência desproporcional sobre quais fontes de energia continuarão comercialmente viáveis até meados do século 21.

Data centers impulsionam energias renováveis, mas mantêm combustíveis fósseis ativos

De acordo com projeções da consultoria BloombergNEF, a demanda gerada pelos data centers vai injetar no mercado global um adicional de:

1 terawatt de energia solar em escala de utilidade pública;

400 gigawatts de energia solar distribuída;

370 gigawatts de gás natural;

110 gigawatts de carvão. 

O avanço da energia fotovoltaica é sustentado pela expectativa de que os preços dos painéis solares caiam mais 30% até 2035. Isso consolidaria uma realidade na qual, até 2050, esses painéis vão gerar mais do que o dobro da eletricidade produzida pelo gás natural.

A demanda gerada pelos data centers vai injetar no mercado global um adicional de 1 terawatt de energia solar em escala de utilidade pública – Imagem: ultramansk/Shutterstock

A queda acentuada nos custos da tecnologia solar decorre diretamente da fabricação em massa e das políticas industriais da China, que subsidia os seus fabricantes locais e inunda o mercado global com insumos baratos. 

“Os custos caem com cada duplicação da capacidade instalada”, afirmou o chefe de economia de energia da BloombergNEF, Matthias Kimmel, em entrevista ao TechCrunch. “No caso da solar, foi ainda mais rápido do que isso”, acrescentou o especialista.

Essa abundância solar começou a empurrar o mercado de baterias de grande porte para a mesma trajetória de barateamento. O cenário atual é muito parecido com o que a energia solar viveu em 2020. 

Na Espanha e na Itália, por exemplo, fazendas solares independentes deixaram de ser lucrativas porque o excesso de energia gerada durante o dia derrubou o preço da eletricidade no período diurno. 

Em resposta, os desenvolvedores passaram a construir plantas renováveis híbridas, que acoplam baterias aos painéis solares para armazenar a energia e vendê-la durante a noite, quando os preços são mais altos. 

Em 2025, foram instalados 112 gigawatts dessas baterias no mundo, número que deve quase triplicar até 2035. E que já atrai investimentos de empresas como Ford e Redwood Materials.

Outras fontes e tecnologias limpas correm por fora para abocanhar uma fatia do mercado de IA, como sistemas de armazenamento de longa duração, energia geotérmica e energia nuclear. 

Combustíveis fósseis ainda devem fornecer 51% da geração incremental de energia exigida por data centers de IA até 2050 (Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock) – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

O Google, por exemplo, aportou US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões) em baterias de 100 horas da Form Energy para um projeto recente de data center, ao passo que as empresas Fervo Energy (geotérmica) e X-energy (nuclear) ganharam tração após aberturas de capital (IPOs) de grande sucesso em maio. 

Em frentes nacionais, a transição para fontes baratas também se mostrou urgente. O Paquistão, por exemplo, adicionou 25 gigawatts de energia solar nos últimos dois anos após os preços do gás natural dispararem devido à invasão da Ucrânia pela Rússia.

O relatório da BloombergNEF não mapeou os efeitos da Guerra do Irã porque a pesquisa já estava em estágio avançado de finalização quando o conflito começou. Mas a instituição testou dois cenários globais de importação de energia. 

No cenário de transição puramente econômica (movida pelos custos), os países reduziriam a dependência de energia externa, incluindo a potência petrolífera Arábia Saudita.

Já no cenário de emissões líquidas zero (guiado por regulamentações estritas), a dependência de importações energéticas seria virtualmente eliminada. 

“A transição, que em muitos aspectos é eficiente em termos de custos, é na verdade boa para a independência energética”, declarou Kimmel ao TechCrunch.

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