Muita gente acredita que o consumo de álcool antes de dormir ajuda a adormecer com mais facilidade. Segundo um novo estudo, isso até pode ser verdade, mas esconde um sério prejuízo para a qualidade do sono.
A pesquisa reuniu dados de 27 estudos com adultos saudáveis e identificou que mesmo baixas doses de álcool já reduzem o sono REM, um estágio associado à consolidação da memória, processamento emocional e recuperação cerebral.
Mais interrupções do descanso
No trabalho, os pesquisadores analisaram adultos saudáveis entre 18 e 70 anos e avaliaram o impacto do álcool consumido antes do horário de dormir.
As doses variaram entre 0,16 e 1,20 g/kg e foram consumidas até três horas antes da hora de dormir.
A equipe constatou que doses maiores de álcool realmente encurtam o tempo para adormecer, mas aumentam ainda mais as alterações no sono ao longo da noite.
O estudo ainda indica que esse efeito sedativo inicial ocorre acompanhado de prejuízos subsequentes na qualidade do descanso.
Ao contrário do que se imagina, o álcool pode piorar a apneia obstrutiva do sono e aumentar a vontade de urinar.
Isso leva a mais despertares noturnos, o que promove uma fragmentação do sono, com pesadelos e agitação.
O consumo de álcool provoca mudanças importantes na chamada arquitetura do sono (Imagem: Tiko Aramyan/Shutterstock)
Prejuízos mesmo com baixas doses de álcool
O estudo, publicado na revista científica Sleep Medicine Reviews, mostrou que o álcool provocou mudanças importantes na chamada arquitetura do sono, a organização das diferentes fases do descanso noturno. Entre os principais efeitos observados estão atraso no início e redução do sono REM, além do encurtamento do tempo para entrar no sono profundo.
Os pesquisadores ainda afirmam que quanto maior a quantidade ingerida, maiores foram os prejuízos observados no sono. A revisão também aponta que alterações ocorreram mesmo após baixas doses de álcool. Os dados mostram que o álcool aumentou em média 18 minutos o tempo necessário para entrar no sono REM. Além disso, a duração total dessa fase foi reduzida em média em 11,3 minutos após o consumo de álcool.
A equipe ainda destacou que o álcool tem efeito de relaxante muscular, promovendo uma instabilidade respiratória maior e favorecendo roncos mais frequentes e intensos. Além disso, em indivíduos suscetíveis, pode piorar a apneia obstrutiva do sono. Como o álcool é metabolizado em poucas horas, o consumo próximo ao horário de dormir também deixa o cérebro hiperexcitado. Esse é mais um fator que causa a fragmentação do sono.
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