O que aconteceu com Gabriel Ganley? Morte de fisiculturista expõe os perigos dos anabolizantes

A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, conhecido nas redes sociais como BBzinho, voltou a colocar o fisiculturismo no centro de uma discussão delicada: até onde vai o risco do uso de substâncias para acelerar resultados estéticos e ganhar massa muscular. Ganley tinha apenas 22 anos e acumulava cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram. A morte foi confirmada por meio do perfil do Instagram da Integralmedica, marca de suplementos que patrocinava o atleta. 

Até o momento, a causa da morte de Ganley não foi oficialmente divulgada. Ainda assim, de acordo com o portal Leo Dias, relatos apontam para uma possível hipoglicemia relacionada ao uso de insulina. O caso ganhou repercussão porque o próprio influenciador já havia compartilhado com os seguidores episódios de mal-estar após utilizar o hormônio, prática considerada extremamente perigosa sem indicação médica.

O fisiculturista chegou a competir em categorias de fisiculturismo natural entre 2023 e 2024, modalidade que proíbe o uso de substâncias para ganho de performance. No entanto, no ano passado, ele admitiu publicamente o uso de anabolizantes, o que aumentou ainda mais as discussões sobre os riscos associados ao esporte de alto rendimento.

Ganley e o uso de insulina no fisiculturismo

A suspeita envolvendo a morte de Ganley trouxe à tona uma prática pouco conhecida fora do universo fitness: o uso de insulina para potencializar o ganho muscular. Embora o hormônio seja essencial no tratamento do diabetes, alguns atletas utilizam a substância para aumentar o transporte de glicose e aminoácidos para dentro das células musculares.

Na prática, isso pode favorecer a recuperação após treinos intensos e acelerar a síntese proteica. O problema é que o uso inadequado da insulina pode provocar quedas severas de glicose no sangue, levando a sintomas como suor frio, tremores, confusão mental, convulsões, perda de consciência e até morte.

Em vídeos que circulam nas redes sociais, Gabriel relatou episódios graves após o uso do hormônio. Em um deles, afirmou ter sentido “muita confusão mental” e “suadeira” antes de desmaiar. Apesar disso, o atleta também comentava sobre os resultados estéticos obtidos, o que ajuda a explicar por que muitos jovens acabam banalizando práticas perigosas.

Além da insulina, o fisiculturismo também enfrenta um histórico preocupante envolvendo o uso de anabolizantes e diuréticos. Muitas vezes, essas substâncias aparecem combinadas em protocolos clandestinos para acelerar definição muscular e crescimento físico.

O que aconteceu com Gabriel Ganley? Crédito: Reprodução/Instagram

Anabolizantes aumentam riscos cardíacos e hormonais

Os anabolizantes são derivados da testosterona e promovem crescimento muscular acelerado. Apesar da popularização nas redes sociais, o uso sem acompanhamento médico pode trazer consequências graves para o organismo.

Em 2023, o Conselho Federal de Medicina proibiu a prescrição de hormônios com finalidade estética ou para melhora de desempenho esportivo. A decisão ocorreu após análises de pesquisas que relacionaram os anabolizantes a problemas cardiovasculares, infertilidade, alterações hepáticas, distúrbios psiquiátricos e aumento do risco de morte súbita.

Um estudo publicado no European Heart Journal reforçou esse alerta ao analisar mais de 20 mil fisiculturistas masculinos que competiram entre 2005 e 2020. Os pesquisadores identificaram 121 mortes no grupo, sendo que 38% estavam ligadas a eventos cardíacos súbitos.

Os autores também encontraram sinais frequentes de aumento do coração, espessamento cardíaco e doença arterial coronariana em muitos atletas avaliados. Em alguns casos, exames toxicológicos revelaram abuso de anabolizantes.

Uso indiscriminado de diuréticos também preocupa

Outro hábito perigoso dentro do fisiculturismo envolve os diuréticos, utilizados para eliminar líquidos e deixar os músculos mais aparentes antes de competições. O problema é que esses medicamentos alteram o equilíbrio de minerais importantes no organismo, especialmente o potássio.

Segundo especialistas, a queda excessiva do potássio pode provocar arritmias graves e até parada cardíaca. A desidratação intensa também aumenta os riscos para rins e coração.

A morte de Ganley ainda depende de confirmação oficial sobre a causa. Mesmo assim, o caso já acende um alerta importante sobre os limites impostos ao corpo em busca de resultados rápidos e padrões estéticos extremos.

Resumo: A morte do fisiculturista Gabriel Ganley reacendeu debates sobre os riscos do uso de insulina, anabolizantes e diuréticos no fisiculturismo. Sem causa oficial confirmada, o caso expôs práticas perigosas ligadas ao ganho muscular acelerado. Estudos recentes também apontam aumento de mortes cardíacas súbitas entre atletas da modalidade.

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