O UOL e a Folha de S.Paulo anunciaram a assinatura do primeiro acordo comercial firmado entre empresas de mídia brasileiras e a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. A parceria prevê o fornecimento de conteúdo jornalístico produzido pelos dois veículos para o ecossistema de inteligência artificial (IA) da companhia de tecnologia.
Segundo as empresas, o acordo permitirá o compartilhamento de notícias em tempo real para alimentar o ChatGPT, ampliando a oferta de respostas atualizadas e baseadas em informações apuradas pelas redações do UOL e da Folha.
A iniciativa também encerra a ação judicial movida pela Folha em 2025 contra a OpenAI, na qual o jornal pedia o fim da coleta e do uso, sem autorização e sem pagamento, de conteúdos publicados em seu site. Os valores envolvidos no contrato não foram divulgados por questões de confidencialidade.
O que será a parceria entre UOL, Folha e OpenAI
Na prática, a parceria permitirá que os cerca de 900 milhões de usuários do ChatGPT tenham acesso a informações mais recentes e embasadas em conteúdos jornalísticos produzidos pelos dois veículos;
O Brasil é atualmente um dos maiores mercados da plataforma no mundo, com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais e aproximadamente 140 milhões de mensagens trocadas diariamente, segundo dados informados pela empresa;
Varun Shetty, vice-presidente de Parcerias de Mídia da OpenAI, explicou ao UOL a finalidade da parceria. “Ao tornar o jornalismo feito por eles acessível no ChatGPT, nosso objetivo é ajudar os usuários a obter respostas mais úteis, oportunas e localmente relevantes. Ao mesmo tempo em que apoiamos o relacionamento direto dos publishers com um público global”, declarou.
O CEO do UOL, Paulo Samia, afirmou que plataformas de inteligência artificial dependem de fontes confiáveis de informação. “As plataformas de IA precisam de fontes confiáveis. É natural que remunerem os autores de conteúdo qualificado por isso”, disse.
Murilo Garavello, diretor de conteúdo do portal, afirmou que a presença do jornalismo em diferentes ambientes digitais é fundamental para ampliar o acesso à informação. “É importante que nosso jornalismo esteja em todos os ambientes que o brasileiro frequenta. E que informações verdadeiras sejam difundidas o máximo possível”, afirmou.
Além do compartilhamento de conteúdo, o acordo prevê acesso do UOL e da Folha ao plano empresarial do ChatGPT, à API da OpenAI e ao Codex, ferramenta voltada ao desenvolvimento de software. Segundo as empresas, a intenção é explorar aplicações da IA no jornalismo, tanto no desenvolvimento de produtos e recursos destinados aos leitores quanto na otimização dos fluxos internos das redações.
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Para Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha, o interesse da OpenAI reforça a relevância do jornalismo profissional. “O interesse de uma gigante da inteligência artificial como a OpenAI pelo conteúdo da Folha e do UOL só reforça a importância do jornalismo profissional”, declarou.
Desde 2023, a OpenAI vem anunciando acordos semelhantes com grupos de mídia internacionais, entre eles Financial Times, Condé Nast, Le Monde, Time e Axel Springer.
Coalizões buscam padronizar relação entre imprensa e IA
Além dos acordos individuais firmados entre empresas de mídia e desenvolvedoras de IA, o setor também busca estabelecer padrões para regulamentar o licenciamento e o uso de conteúdos jornalísticos por sistemas de IA.
Um exemplo citado é o projeto Spur, sigla em inglês para “padrões para direitos de uso de publicações”, iniciativa assinada pelos CEOs da BBC, Financial Times, The Guardian, Sky News e Telegraph.
Segundo os organizadores, o objetivo é criar padrões técnicos e modelos de licenciamento que permitam o uso responsável de conteúdo jornalístico por ferramentas de IA, garantindo remuneração adequada e controle sobre o material utilizado pelos publishers.
No Brasil, entidades do setor de mídia também se manifestaram sobre o tema. Em comunicado divulgado em fevereiro, a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus) e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) defenderam junto a empresas de tecnologia que o uso de conteúdos produzidos por seus associados no treinamento de modelos de inteligência artificial seja feito mediante remuneração.
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