Europa enfrenta onda de calor com recordes de temperatura em Portugal e Reino Unido

Ainda faltam algumas semanas para o verão começar oficialmente no Hemisfério Norte, mas boa parte da Europa já enfrenta temperaturas típicas de julho e agosto. Uma onda de calor considerada incomum para maio colocou cidades da Itália em alerta vermelho, levou Espanha, Portugal, França e Reino Unido a registrarem marcas históricas e já foi associada a mortes, hospitalizações e restrições em diferentes países do continente.

Temperaturas altas em Portugal e Espanha

O caso mais extremo foi registrado em Portugal, onde os termômetros chegaram a 40,3°C na cidade de Mora, no Alentejo, estabelecendo um novo recorde nacional para o mês de maio. A marca anterior, de 40°C, havia sido registrada em 2001. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a atual onda de calor pode se tornar a mais intensa e duradoura já registrada para esta época do ano. A ministra da Saúde afirmou que o número de hospitalizações aumentou em razão das temperaturas.

A Espanha também enfrenta temperaturas incomuns para a primavera europeia. A Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) classificou o episódio como “extraordinariamente quente” para o período e emitiu alertas para regiões do norte e nordeste do país, onde os termômetros devem chegar aos 37°C e 38°C. Além do calor durante o dia, meteorologistas alertam para as chamadas “noites tropicais”, quando as temperaturas não caem nem mesmo durante a madrugada.

Itália em alerta vermelho

Na Itália, o Ministério da Saúde colocou Roma, Florença, Bolonha, Turim e Brescia em alerta vermelho na quinta-feira (28). O nível indica risco elevado não apenas para idosos e pessoas com doenças crônicas, mas também para pessoas saudáveis e ativas.

As autoridades italianas orientaram moradores e turistas a evitarem exposição ao sol durante os horários mais quentes do dia. Em algumas regiões, como Lácio, trabalhos ao ar livre com longa exposição solar – como construção civil, agricultura e logística – passaram a sofrer restrições no período da tarde.

Com as restrições, muitos turistas passaram a fazer passeios mais cedo, procurar ambientes fechados durante a tarde e carregar garrafas d’água e chapéus para enfrentar as temperaturas acima dos 30°C.

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Calor extremo na França e no Reino Unido

Na França, a agência meteorológica Météo-France informou que Angoulême-La Couronne, no sudoeste do país, atingiu 37,8°C, estabelecendo um novo recorde nacional para maio. Paris também enfrenta uma sequência incomum de dias acima dos 30°C, enquanto outras regiões registraram temperaturas mais de 10°C acima da média para esta época do ano.

Autoridades francesas afirmaram que ao menos sete mortes podem estar relacionadas diretamente ou indiretamente ao calor, incluindo casos de afogamento e pessoas que passaram mal durante atividades esportivas. Em Paris, um corredor morreu após sofrer uma parada cardíaca durante uma prova de rua.

No torneio de tênis Roland Garros, o italiano Jannik Sinner passou mal durante a partida contra o argentino Juan Manuel Cerúndolo e acabou eliminado. A organização do Grand Slam reforçou a irrigação das quadras para amenizar os efeitos das altas temperaturas. Em uma escola no sudoeste da França, os corredores chegaram a 53°C, fazendo alunos passarem mal e levando ao fechamento temporário da unidade.

Já no Reino Unido, o calor também entrou para a história. A agência meteorológica Met Office confirmou que o dia 26 de maio foi o mais quente já registrado para o mês com 35,1°C em Kew Gardens, no sudoeste de Londres. O recorde anterior, de 32,8°C, havia sido alcançado em 1922 e 1944. Mortes por afogamento também foram registradas nos últimos dias em meio ao aumento da procura por praias, lagos e reservatórios durante a onda de calor.

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Today is now the hottest day in May on record for both England and Wales with Kew Gardens provisionally reaching 35.1°C and Cardiff Bute Park reaching 32.9°C pic.twitter.com/NSnRSuhNHp

— Met Office (@metoffice) May 26, 2026

O que é a “cúpula de calor”

Meteorologistas atribuem o fenômeno a uma “cúpula de calor”, sistema de alta pressão atmosférica que aprisiona uma massa de ar quente vinda do norte da África sobre a Europa Ocidental. O bloqueio impede a entrada de frentes frias e faz com que o calor permaneça estacionado sobre o continente por vários dias.

Além das máximas elevadas, o fenômeno favorece as chamadas “noites tropicais”, quando as temperaturas não caem abaixo dos 20°C durante a madrugada, dificultando o resfriamento das cidades e aumentando os riscos à saúde.

Especialistas apontam que as mudanças climáticas intensificadas pela ação humana têm tornado ondas de calor mais frequentes e severas. Segundo pesquisadores europeus, o continente aquece hoje mais rapidamente do que a média global.

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