Como foi o primeiro voo de teste do avião que vai ter a rota mais longa do mundo

A fabricante europeia Airbus fez, na terça-feira (02), o primeiro voo de teste do A350-1000ULR, o avião comercial com o maior alcance do mundo. A aeronave decolou de Toulouse, na França, onde também pousou. Ela foi projetada para voar por até 22 horas seguidas sem escalas, o que vai permitir conexões diretas inéditas entre Sydney, na Austrália, e destinos como Londres (Reino Unido) e Nova York (EUA).

O modelo experimental completou a viagem inicial em três horas e 43 minutos, atingindo uma altitude de 12,5 quilômetros. A aeronave (MSN 707) é a primeira de uma encomenda de 12 unidades da Qantas para o Projeto Sunrise (você vai entender o porquê desse nome no final desta matéria). E passará por adaptações comerciais após a campanha de testes. 

“Durante o primeiro voo, a tripulação fez verificações gerais de desempenho da aeronave e testou a nova arquitetura do sistema de combustível. Isso marca o início de uma campanha de teste de voo por dois meses para certificar as modificações”, informou a Airbus em comunicado.

A primeira entrega à companhia aérea australiana está agendada para abril de 2027 e será feita com o segundo avião produzido do lote, após adiamentos no cronograma original.

Tanques extras e cabines customizadas viabilizam o voo mais longo do mundo

Para atingir uma autonomia de 17.964 quilômetros, a engenharia da aeronave incluiu um tanque adicional de 20 mil litros de combustível na parte central traseira do avião (é esse o termo mesmo, abreviado pela sigla RCT). 

Essa modificação estrutural amplia o alcance do modelo padrão em cerca de 1.852 quilômetros. E elimina a necessidade de escalas em aeroportos que costumam atrasar as viagens em até quatro horas.

Além do combustível extra, o projeto substituiu os sistemas convencionais por uma infraestrutura de refrigeração de cozinha mais leve e eficiente, focada na redução de odores e do consumo de energia em viagens muito longas. 

A Airbus incorporou diversos ajustes na aeronave A350-1000ULR para ela aguentar viagens bem longas – Imagem: Airbus

O período de avaliações práticas, previsto para durar dois meses, também servirá para certificar os novos mecanismos de ventilação e controle de temperatura interna da cabine de passageiros.

Para priorizar o conforto dos clientes durante quase um dia inteiro de viagem, a Qantas optou por reduzir a capacidade interna para 238 passageiros. Para você ter ideia, a versão convencional tem cerca de 300 assentos.

A divisão interna contará com seis suítes privativas na primeira classe com cama e guarda-roupa, 52 poltronas na classe executiva com divisórias e carregador sem fio, 40 assentos na econômica premium e 140 na classe econômica tradicional, todos equipados com internet Wi-Fi.

A estrutura final do avião trará uma zona de bem-estar voltada para o alongamento e hidratação dos passageiros, além de um cronograma de alimentação e iluminação dinâmica desenvolvido em parceria com especialistas em sono para minimizar os impactos físicos do jet lag.

A operação foi batizada como Projeto Sunrise porque o fuso horário cruzado fará com que os passageiros vejam o nascer do sol duas vezes ao longo do trajeto.

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