O acesso por Picinguaba ao Pico do Corcovado, em Ubatuba, foi reaberto pela Fundação Florestal, para a felicidade dos trilheiros. Durante dois anos, o trajeto que leva ao cume, a 1.100 metros de altura, passou por obras de recuperação em corrimões, escadas de madeira e bancos de descanso. Somente a formação “Igrejinha” e o Ponto 4 seguem interditados devido ao risco de queda de rochas.
Também ocorreu uma série de reuniões com o povo da Aldeia Renascer Ywyty Guaçu, originários da região. Os habitantes e o poder público decidiram limitar o número de visitantes para reduzir o impacto ambiental das trilhas.
Agora, somente 48 pessoas simultâneas podem acessar o trajeto por dia, contra a média de 120 trilheiros que se aventuravam pelo local antes de 2024. Já o cume fica limitado a 34 indivíduos simultâneos e, em caso de lotação, será feito revezamento com permanência de uma hora por visitante. A trilha só pode ser realizada às sextas, sábados, domingos e feriados.
Pico do Corcovado: 1.100 metros cobertos por Mata AtlânticaCristiano Kiririndju/Divulgação
As diretrizes inéditas também valorizam os saberes da população local. Os visitantes podem optar por um guia indígena ou um monitor não-indígena credenciado do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM). Ao escolher entre um dos 13 monitores da Aldeia Renascer, o grupo passa por uma imersão na história e cultura dos povos da região. A presença do profissional é obrigatória para todo o percurso.
As novas regras são uma conquista dessa população. O acesso ao Pico do Corcovado foi originalmente fechado em 2020 para obras. Reaberto em 2022, voltou a ser interditado em 2024 por pressão do povo local, que alertou para o número excessivo de visitantes que chegavam ao cume.
Fundada em 1999 por cinco famílias Tupi Guarani e Guarani, a Aldeia Renascer Ywyty Guaçu surgiu com o objetivo de reconquistar terras ancestrais dos povos originários em Ubatuba. Situada aos pés do Corcovado, ocupa 2.500 hectares e abriga hoje 25 famílias e 120 pessoas.
Conheça a trilha
O Pico do Corcovado atrai trilheiros que buscam paisagens literalmente de tirar o fôlego. A subida é considerada difícil: são cerca de 20 km de extensão (ida e volta) a partir de Picinguaba, com 1.100 metros de altura, percorridos em cerca de seis horas. O início deve ocorrer até às 8h na modalidade bate-volta e até 10h para quem deseja pernoitar no cume – a temporada de acampamento ocorre de 19 de março a 19 de novembro.
O período de inverno é considerado o melhor para se aventurar por lá. Com temperaturas amenas e pouca chuva, essa época apresenta a maior a chance de encontrar o tempo limpo no pico.
Para o trajeto, é obrigatório o uso de calça comprida e calçado fechado. Também é exigido o kit de primeiros socorros e shit tube, um tubo para guardar seus dejetos. É proibido fazer fogueiras, descartar resíduos, entrar com animais domésticos e coletar vegetais.
No topo do mundo: se optar por pernoitar, é possível apreciar o nascer e e o pôr do sol sobre o picoGustavo Asciutti/Wikimedia Commons
Serviço
Onde? Núcleo Picinguaba da PESM – Corcovado – Ubatuba. Acesso pela Rodovia BR 101, km 96.
Quando? As trilhas ocorrem de sexta-feira a domingo e em feriados. O trajeto deve ser iniciado até 8h na modalidade bate-volta e até 10h para grupos que irão pernoitar.
Quanto? Os valores variam conforme o guia. Monitores indígenas podem ser contratados ao entrar em contato com a Aldeia Renascer por seu perfil oficial. Para escolher profissionais não-indígenas, é preciso contatar a PESM pelo e-mail pesm.picinguaba@fflorestal.sp.gov.br.
Veja um guia completo de Ubatuba
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