China inaugura data center submerso movido a energia eólica

O primeiro data center subaquático do mundo alimentado por energia eólica offshore começou a operar em maio na costa de Xangai.

Segundo o the Guardian, o projeto, chamado Shanghai Lingang Undersea Datacentre Demonstration Project, é resultado de uma parceria entre a HiCloud Technology e a China Communications Construction, empresa estatal chinesa.

Projeto Shanghai Lingang marca novo passo da China ao integrar data centers submersos e energia renovável em uma única infraestrutura digital. Imagem: superbeststock/Shutterstock

Um data center no fundo do mar

A instalação fica submersa a cerca de 10 metros de profundidade e a mais de 10 quilômetros da costa de Xangai. Com capacidade de 24 megawatts, o complexo é alimentado por energia gerada em um parque eólico offshore próximo. A operação combina tecnologia de uma empresa privada com a estrutura de uma estatal chinesa, em uma das regiões de livre comércio de alta tecnologia do leste de Xangai, próxima inclusive a uma gigafábrica da Tesla.

A instalação reúne características técnicas que ajudam a definir sua escala e operação:

localização submersa a 10 metros de profundidade

distância de mais de 10 km da costa de Xangai

capacidade de 24 megawatts

alimentação por energia eólica offshore

operação conjunta entre empresa privada e estatal

Sistema reduz consumo de energia em mais de um quinto em relação a instalações em terra, graças ao resfriamento natural da água do mar. Imagem: Matt Hardy/Unsplash – (Reprodução: Matt Hardy/Unsplash)

Como o mar ajuda a reduzir consumo de energia

O principal diferencial do projeto está na eficiência energética. Segundo autoridades chinesas, o data center consome cerca de um quinto menos de energia do que estruturas equivalentes em terra.

Isso acontece porque a própria água do mar ajuda a resfriar os servidores, reduzindo a necessidade de sistemas tradicionais de refrigeração. Em instalações convencionais, entre 25% e 40% da eletricidade é usada apenas para manter os equipamentos em temperatura segura.

Além disso, o uso de água doce também é reduzido. Esse ponto ganhou destaque diante de alertas recentes sobre o crescimento da demanda hídrica dos data centers no mundo, que pode atingir níveis bilionários até 2030.

IA e a corrida por infraestrutura mais eficiente

O avanço da inteligência artificial tem pressionado governos e empresas a expandirem rapidamente suas infraestruturas digitais. Nesse cenário, data centers se tornaram peças centrais, mas também altamente criticadas pelo consumo de energia e água.

A China já vem tratando a IA como prioridade estratégica e tem acelerado investimentos em infraestrutura de computação e energia limpa. O projeto subaquático surge justamente dentro dessa lógica de buscar alternativas mais eficientes para sustentar o crescimento do setor.

Projeto em Xangai combina data center subaquático e energia eólica offshore para criar infraestrutura digital mais eficiente e sustentável Imagem: MaxNoz/Shutterstock

Experimentos anteriores e disputa tecnológica

A HiCloud já havia lançado, em 2023, o primeiro data center subaquático comercial do mundo, em Hainan, no sul da China. A diferença agora é que o projeto de Xangai é o primeiro a operar com energia eólica offshore integrada.

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A ideia de data centers submersos não é exclusiva da China. Em 2018, a Microsoft realizou testes na Escócia, em um projeto experimental nas Ilhas Orkney. O objetivo era avaliar eficiência e durabilidade, mas a iniciativa não avançou para escala comercial.

Para o pesquisador Hanjiang Dong, da Universidade Politécnica de Hong Kong, a diferença está na estratégia. Ele afirma que a Microsoft avançou na prova de conceito, enquanto a China conseguiu acelerar a aplicação prática ao combinar indústria, demanda e apoio político.

Investimento bilionário e riscos ambientais

O projeto de Xangai recebeu investimento de cerca de 1,6 bilhão de yuans (aproximadamente £177 milhões), segundo autoridades chinesas. O país também tem ampliado sua política de incentivo à infraestrutura de inteligência artificial, com foco em energia limpa e expansão de data centers.

Apesar dos avanços, especialistas alertam para possíveis impactos ambientais. Entre os riscos estão alterações locais na temperatura da água e perturbações em sedimentos marinhos, ainda que considerados controláveis.

Um data center subaquático provavelmente é uma boa ideia. Embora o resfriamento com água do mar resulte em alguns aumentos localizados de temperatura, estes não serão generalizados.

Rick Stafford, professor da Universidade de Bournemouth, ao the Guardian.

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