Google processa hackers acusados de usar Gemini em esquema global de phishing

Segundo o The Wall Street Journal, o Google entrou com uma ação judicial em um tribunal federal de Nova York contra um grupo de fraudadores conhecido como “Outsider”. A empresa afirma que a organização teria usado ferramentas de inteligência artificial, incluindo o modelo Gemini, para estruturar páginas falsas e ampliar ataques digitais em escala global.

Segundo a acusação, o esquema teria causado prejuízos estimados em US$ 1,9 bilhão e envolvido a criação de mecanismos sofisticados de engano para roubo de dados financeiros. O objetivo do processo é interromper a operação e desativar canais usados pelos suspeitos.

As investigações apontam que os ataques se concentraram em mensagens enviadas a celulares, com falsas ofertas e alertas urgentes que direcionavam vítimas a páginas fraudulentas.

Estratégia combinava mensagens falsas, IA e sites clonados

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

De acordo com o Google e autoridades norte-americanas, o grupo enviava mensagens que simulavam programas de benefícios de operadoras de telefonia, induzindo usuários a acessar links sob pressão de prazo curto.

Esses links levavam a páginas que imitavam ambientes reais de login, criadas com apoio de instruções para uso de inteligência artificial na geração de código. A operação teria resultado na produção de milhares de modelos de sites, o que ampliou a capacidade de ataque.

Relatórios citados na investigação indicam mais de 8 mil páginas de phishing e a coleta de aproximadamente 3,87 milhões de dados de cartões de crédito ao longo de cerca de dois anos.

Escalada dos golpes e reação de autoridades

Hacker – Imagem: iJeab/Shutterstock

O FBI informou que os golpes geraram perdas financeiras bilionárias e destacou a atuação do grupo como uma das mais intensas em circulação de mensagens fraudulentas. O órgão também relatou cerca de 55 mil denúncias em um intervalo de duas semanas.

As autoridades observam aumento expressivo em fraudes ligadas a telecomunicações, com crescimento relevante em campanhas direcionadas a uma grande operadora nos Estados Unidos.

A investigação aponta ainda que empresas de tecnologia e forças de segurança atuam em conjunto para conter a expansão dessas redes criminosas.

IA amplia alcance de fraudes e desafia mecanismos de controle

O caso é citado como exemplo de como sistemas de inteligência artificial têm sido incorporados por criminosos digitais para automatizar etapas de ataques, desde a criação de mensagens até o desenvolvimento de páginas falsas.

Representantes do Google afirmam que ferramentas de segurança filtram interações potencialmente perigosas, mas destacam que solicitações genéricas de geração de código não são bloqueadas automaticamente. Isso abre espaço para usos indevidos sem detecção imediata.

Além desse caso, empresas do setor relatam outros tipos de abuso envolvendo IA, incluindo campanhas de desinformação e fraudes estruturadas em larga escala, o que tem pressionado o debate regulatório sobre o uso dessas tecnologias.

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