Nesta quarta-feira (17), um fenômeno astronômico deve chamar a atenção de quem gosta de observar o céu, apesar de poder ser visto em somente poucas regiões da Terra. Na ocasião, a Lua vai passar bem na frente de Vênus, escondendo o planeta por alguns instantes. Esse tipo de evento, chamado de ocultação lunar, é como se fosse um “eclipse” – e, desta vez, poderá ser visto em alguns locais do Brasil.
De acordo com o site In-The-Sky.org, o evento terá uma duração total de pouco mais de quatro horas, ocorrendo globalmente entre 15h17 e 19h43 (horário de Brasília). A visibilidade do fenômeno estará concentrada principalmente no continente americano, abrangendo desde a América do Norte até grande parte da América do Sul, incluindo estados das regiões Norte e Nordeste do Brasil, como Amapá, Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e o norte da Bahia.
Horário de observação da ocultação lunar de Vênus em cada capital, de acordo com Marcelo Zurita/BRAMON. – Crédito: Imagem gerada por IA, com base nas informações de Marcelo Zurita/BRAMON.
Embora o “eclipse” de Vênus pela Lua não possa ser visto por todo o país, o restante ainda conseguirá observar os dois objetos muito próximos um do outro – e também de Júpiter e Mercúrio! Do ponto de vista de um observador em São Paulo, por exemplo, o par estará visível das 17h39 às 20h03, quando desaparecem mergulhando no horizonte.
A Lua estará em magnitude de -10.3, e a de Vênus será de -4.0, com ambos na constelação de Câncer. Quanto mais brilhante um objeto parece, menor é o valor de sua magnitude (relação inversa). O Sol, por exemplo, que é o objeto mais brilhante do céu, tem magnitude aparente de -27.
A dupla estará próxima o bastante para caber dentro do campo de visão de um telescópio e também será visível a olho nu ou com um par de binóculos.
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Ocultação lunar de Vênus
Ocultações lunares só são visíveis de uma pequena fração da superfície da Terra. Como a Lua está muito mais perto do nosso planeta do que outros objetos celestes, sua posição no céu difere dependendo da localização exata do observador devido à sua grande paralaxe (diferença na posição aparente de um objeto em relação a um plano de fundo, tal como visto por observadores em locais distintos ou por um observador em movimento).
A posição da Lua vista de dois pontos em lados opostos da Terra pode variar em até dois graus, ou quatro vezes o diâmetro da lua cheia.
Isso significa que se a Lua estiver alinhada para passar na frente de um objeto específico para um observador posicionado em um lado da Terra, ela aparecerá até dois graus de distância desse objeto do outro lado do globo.
Mapa mostra as regiões do planeta de onde será possível observar a ocultação lunar de Vênus nesta quarta-feira (17) – Crédito: In-The-Sky.org
No mapa acima, contornos distintos mostram onde o desaparecimento de Vênus é visível (em vermelho) e onde será possível testemunhar seu reaparecimento (em azul). Os riscos sólidos exibem onde a ocultação provavelmente será visível através de binóculos a uma altitude razoável no céu. Os contornos pontilhados, por sua vez, indicam onde o evento ocorre acima do horizonte, mas pode não ser visível devido ao céu estar muito claro ou a Lua muito perto do horizonte.
Fora dos contornos, a Lua não passa na frente de Vênus em nenhum momento, ou está abaixo do horizonte no momento da ocultação.
Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, disse que mesmo para os locais onde a ocultação de Vênus não será visível, sua proximidade aparente com a Lua oferece uma excelente oportunidade para observação do planeta em plena luz do dia.
“Quando Vênus está em uma boa elongação, ou seja, mais afastado do Sol no céu, é possível vê-lo durante o dia, mas é difícil de encontrar o planeta no céu, algo que a proximidade da Lua facilita bastante”, explica o especialista. “O melhor momento para isso, é no final da tarde, quando a Lua em fino crescente estará visível na direção oeste e Vênus um pouco acima e à esquerda dela. A observação poderá ser feita a olho nu ou com o auxílio de binóculos ou pequenos telescópios.”
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