O rover Perseverance, da NASA, encontrou carbono orgânico complexo em duas rochas sedimentares no interior da cratera Jezero, em Marte. A análise foi feita em argilitos da região chamada Bright Angel, associada a um antigo sistema de rios. A pesquisa científica por trás deste estudo foi publicada nesta quarta-feira (24) no periódico Science Advances.
As medições foram realizadas com o instrumento SHERLOC, que utiliza lasers para mapear compostos químicos. Os dados indicam centenas de detecções de carbono em material rochoso que já havia sido considerado promissor na busca por sinais de vida.
Segundo os pesquisadores envolvidos, as formações analisadas apresentam características que podem estar ligadas a processos biológicos antigos, embora também existam explicações não biológicas possíveis.
Análises e resultados da missão em Jezero
Os dados coletados pelo Perseverance indicam a presença de carbono orgânico macromolecular em duas rochas sedimentares, ambas situadas em uma área que já havia sido alvo de investigações anteriores sobre possíveis biossinais.
As amostras apresentam diferenças internas. Em uma delas, o carbono aparece associado principalmente a silicatos. Na outra, está ligado a minerais como sulfatos e carbonatos. Em ambos os casos, o material analisado apresenta relativa preservação contra degradação causada por radiação e oxidação.
Os pesquisadores também apontam que algumas estruturas encontradas nos sedimentos lembram padrões que, na Terra, podem estar associados à atividade de microrganismos em ambientes antigos.
A área de estudo, dentro da cratera Jezero, já havia chamado a atenção anteriormente por abrigar a rocha conhecida como Cheyava Falls, que apresenta marcas chamadas de “leopard spots”, consideradas potenciais indicadoras de processos geológicos ou biológicos.
Apesar dessas observações, os cientistas reforçam que a presença de carbono orgânico não é prova conclusiva de vida. Eles explicam que compostos orgânicos podem surgir também por processos não biológicos, como por reações geológicas ou pela deposição de meteoritos.
O estudo foi publicado na revista Science Advances em 24 de junho, você pode conferi-lo clicando aqui.
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