Frio, pouca água e mais açúcar formam uma combinação que ameaça a saúde ginecológica

A alimentação no inverno costuma passar por mudanças. Com a chegada dos dias frios, é comum diminuir o consumo de água, deixar os exercícios de lado e aumentar a vontade de comidas mais calóricas. Segundo especialistas da clínica Ginelife, esses hábitos podem impactar a saúde ginecológica e favorecer alguns desconfortos.

A ginecologista Ana Carolina Romanini alerta que um dos principais pontos de atenção nesse período são as infecções urinárias. Isso acontece porque muitas pessoas passam a beber menos água e seguram a urina por mais tempo, aumentando os riscos do problema.

Além disso, a médica explica que a alimentação influencia diretamente o equilíbrio da microbiota intestinal e vaginal. A redução no consumo de frutas, vegetais e fibras, junto ao excesso de açúcar, pode favorecer quadros como constipação e candidíase. Já a baixa hidratação e a falta de atividade física podem intensificar dores em mulheres com endometriose.

Como a alimentação no inverno pode afetar a saúde da mulher?

Durante o frio, pratos como sopas cremosas, chocolates quentes, fondues e sobremesas costumam aparecer com mais frequência na mesa. Porém, a nutricionista Gaby Esteves explica que pequenas trocas ajudam a manter uma alimentação mais equilibrada sem abrir mão do prazer de comidas mais acolhedoras.

A especialista destaca que a escolha dos ingredientes faz diferença para garantir saciedade e melhorar a qualidade nutricional das refeições. Por isso, alguns cuidados simples podem transformar o cardápio:

Sopas com leguminosas: lentilha, feijão-branco e grão-de-bico aumentam a oferta de fibras e podem substituir acompanhamentos menos nutritivos, como o pão francês.
Proteínas nas refeições: frango desfiado, carnes magras, ovos e tofu deixam caldos e sopas mais completos.
Aveia no lugar de cremes prontos: o ingrediente ajuda a trazer cremosidade com mais fibras e pode substituir opções industrializadas.
Especiarias naturais: canela, gengibre, cúrcuma, alecrim, páprica e noz-moscada realçam o sabor sem depender de excesso de sal ou produtos prontos.

A nutricionista também chama atenção para o consumo de alimentos ultraprocessados. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, esses produtos podem apresentar excesso de açúcar, sal e gorduras, prejudicando a qualidade da dieta quando consumidos com frequência.

Outro cuidado importante envolve a síndrome dos ovários policísticos (SOP). De acordo com Ana Carolina, como a condição está relacionada à resistência à insulina, uma rotina com excesso de açúcares, massas refinadas e gorduras, pode contribuir para a piora dos sintomas.

Consumo excessivo de açúcares e ultraprocessados na estação fria pode agravar sintomas de SOP e dores da endometriose – Crédito: FreePik

Quais alimentos ajudam a manter uma rotina saudável no inverno?

A alimentação no inverno também pode ser uma aliada para quem busca mais conforto e equilíbrio durante a estação. Para as sobremesas, a nutricionista sugere apostar em frutas aquecidas, como banana assada com canela, maçã com aveia ou pera cozida com especiarias.

Já para quem não abre mão do chocolate, a recomendação é escolher versões com maior teor de cacau. Dessa forma, é possível aproveitar o sabor do alimento com escolhas mais conscientes.

A especialista reforça que não é necessário eliminar os pratos típicos do frio, mas encontrar um equilíbrio. Pequenas mudanças, como manter a hidratação, incluir fibras e priorizar alimentos naturais, podem contribuir para o funcionamento do organismo.

Resumo: A alimentação no inverno pode influenciar a hidratação, a microbiota e a saúde feminina. Escolhas com fibras, proteínas e ingredientes naturais ajudam a manter o equilíbrio. Sopas completas, frutas aquecidas e temperos naturais são aliados nos dias frios. Pequenas mudanças de hábitos favorecem o bem-estar durante a estação.

Leia também:

Como turbinar o feijão contra a anemia sem usar beterraba