Agosto Dourado: guia prático com tudo o que você precisa saber sobre a amamentação

Durante o Agosto Dourado, a amamentação ganha destaque como uma prática importante para a saúde de mães e bebês. Apesar de ser um processo natural, o aleitamento pode envolver dificuldades, especialmente nas primeiras semanas, e exige informação e, quando necessário, acompanhamento profissional. Para explicar os principais pontos desse período, a Revista AnaMaria conversou com Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e mastologista e membro titular do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês.

Quais são os benefícios do leite materno para o bebê?

O leite materno é considerado o alimento mais adequado para os primeiros meses de vida. Além de fornecer nutrientes, ele também participa da proteção do bebê contra infecções por meio dos anticorpos que a mãe produz após ter contato com determinados agentes infecciosos. Também é o alimento correto para garantir um ganho e distribuição de peso adequado para o bebê.

“Para o bebê, o leite materno é o alimento mais completo que existe para os primeiros meses de vida […] ele muda de composição conforme a necessidade do bebê dia após dia.”

De acordo com Nogueira, essa característica permite que a composição do leite acompanhe as necessidades da criança. A Agência Nacional de Saúde Suplementar recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade. Depois desse período, a amamentação pode continuar junto à alimentação complementar até os dois anos ou mais.

Amamentar também beneficia a mãe

Os benefícios do aleitamento também se estendem à saúde da mãe. Durante a sucção, o organismo materno libera ocitocina, hormônio que, além de favorecer a saída do leite, estimula as contrações do útero após o parto. Segundo o mastologista, esse mecanismo ajuda o órgão a retornar mais rapidamente ao tamanho normal.

Agosto Dourado guia prático com tudo o que você precisa saber sobre a amamentação. Crédito: Canva

É normal sentir dor no começo?

A adaptação à amamentação pode ser desconfortável nas primeiras semanas. O contato repetitivo entre a boca do bebê, a aréola e o mamilo pode provocar sensibilidade, principalmente no início.

“É bastante normal ter dificuldade no início da amamentação, em especial nas primeiras semanas. Isso não tem, de forma prática, nenhum significado errado em relação a mãe ou ao bebê.”

Nogueira conta que esse desconforto tende a diminuir conforme a mãe e o bebê se adaptam ao processo. Outro momento que pode causar incômodo é a apojadura, fase em que ocorre um aumento da produção de leite, geralmente entre o terceiro e o quinto dia após o parto.

Nesse período, as mamas podem ficar mais quentes, firmes, cheias e doloridas. Como a produção pode ser maior do que a quantidade que o recém-nascido consegue retirar, o leite pode se acumular.

Por isso, o ginecologista ressalta a importância de oferecer o peito com frequência e, quando necessário, complementar o esvaziamento da mama por meio de ordenha manual ou com equipamento.

Como saber se a pega está correta?

A posição da boca do bebê durante a mamada é importante para evitar fissuras e rachaduras no mamilo. Quando o bebê abocanha apenas o mamilo, sem envolver adequadamente a aréola, o atrito pode provocar lesões.

“A boca do nenê tem que abrir, os lábios devem ficar um pouquinho expostos, como se fosse a boca de um peixe, e a gengiva do recém-nascido deve abocanhar a base da aréola e o mamilo como um todo.”

Pequenas fissuras podem aparecer durante a adaptação, mas dor intensa não deve ser ignorada. O acompanhamento profissional pode ajudar a identificar se a posição e a pega precisam ser corrigidas.

Quando é necessário procurar ajuda?

Alguns sinais indicam que a mulher deve buscar avaliação médica. Entre eles estão dor muito forte durante as mamadas, a ponto de dificultar ou impedir o aleitamento, sangramento provocado por rachaduras e sinais compatíveis com mastite.

A mama muito vermelha, quente, dolorida e endurecida também merece atenção, especialmente quando o leite apresenta dificuldade para sair e o bebê não consegue realizar a sucção adequadamente.

Quanto mais cedo a mãe buscar orientação diante desses sinais, maiores são as possibilidades de corrigir o problema antes que ele evolua para uma complicação que possa comprometer a continuidade da amamentação.

Leite fraco existe?

A resposta é clara: não. O mastologista explica que a ideia de que existe “leite fraco” é um dos mitos relacionados ao aleitamento.

“O leite materno vai estar sempre adequado para as necessidades do bebê e essa é a razão básica de nós nos chamarmos mamíferos, correto?”, comenta.

Outro motivo de preocupação para algumas mulheres é perceber que os seios ficam menos cheios depois das primeiras semanas. Segundo o especialista, isso não significa necessariamente redução ou interrupção da produção.

No início, as mamas podem produzir uma quantidade maior de leite. Com o passar do tempo, o organismo se adapta à frequência das mamadas e passa a produzir de acordo com a demanda do bebê.

Também vale ressaltar que é comum que nos primeiros minutos, é comum que o leite tenha maior quantidade de água e menor concentração de proteínas e gordura. Após cinco a dez minutos de mamada, ele tende a ficar mais branco, oferecendo uma composição mais rica em gordura e energia, importante para atender às necessidades do bebê.

O tamanho dos seios interfere na produção?

Outro mito é acreditar que mulheres com seios maiores produzem mais leite. Nogueira explica que o tamanho das mamas não determina a capacidade de produção. Ela está relacionada ao processo de sucção e à demanda do bebê, e não simplesmente ao volume ou ao tamanho da mama.

A alimentação da mãe também merece atenção

Durante a amamentação, a mulher precisa cuidar da própria alimentação. O especialista ressalta que não é indicado fazer dietas restritivas durante esse período.

A recomendação apresentada é manter uma alimentação saudável, com presença adequada de carboidratos, lipídios, proteínas e alimentos de valor nutricional. Dessa maneira, a mãe passará os nutrientes necessários para o leite do bebê e evita comprometer a própria nutrição durante a fase de amamentação.

Como a rede de apoio pode ajudar?

Parceiros, familiares e outras pessoas próximas podem contribuir de maneira prática para tornar o processo mais confortável. Para o ginecologista, a rede de apoio deve estar atenta principalmente às necessidades da mãe.

“Ajudar nas solicitações que a mãe venha a fazer, garantir um espaço adequado para que ela tenha privacidade para amamentar, que ela tenha segurança. Que ela tenha tranquilidade e calma”, orienta.

O ambiente também pode fazer diferença na amamentação. O médico recomenda que a mãe não utilize perfumes, esteja em uma posição confortável, com apoio para os braços e ombros, além de um espaço tranquilo e sem distrações.

O contato pele a pele é muito importante. O especialista afirma que a mãe e o bebê devem ter condições de permanecer próximos, em um ambiente confortável e seguro durante a amamentação. Esses fatores são fundamentais para que o bebê esteja em condições ideais para realizar uma pega correta e, assim, garantir uma amamentação mais efetiva.

É possível continuar amamentando depois da volta ao trabalho?

O retorno ao trabalho não significa necessariamente o fim da amamentação. Uma das possibilidades é iniciar uma rotina de ordenha para formar uma reserva de leite que poderá ser oferecida ao bebê durante o período em que a mãe estiver fora.

A ordenha pode ser feita antes de sair de casa e durante o expediente. Para isso, é importante ter acesso a um ambiente reservado e adequado.

“Importante tentar, na medida do possível, manter essa ordenha pelo menos a cada quatro horas ao longo do dia, vai ajudar a manter a produção de leite”, acrescenta.

Como armazenar o leite materno?

O leite recém-ordenhado pode permanecer em temperatura ambiente por até duas horas. Na geladeira, deve ser mantido na prateleira mais próxima do congelador, nunca na porta, por até 12 horas. No freezer, o período é de até 15 dias.

Também é necessário higienizar bem as mãos antes da ordenha e utilizar recipientes esterilizados, preferencialmente de vidro ou próprios para armazenamento de leite materno. A data e o horário da coleta devem ser anotados no recipiente.

O médico também orienta que diferentes porções do mesmo dia podem ser reunidas, desde que a nova porção esteja previamente refrigerada antes de ser adicionada ao leite que já está armazenado. O leite descongelado não deve ser recongelado.

Para o transporte, a orientação é utilizar uma bolsa térmica, preferencialmente com gelo reciclável, até que o leite chegue ao local adequado para armazenamento.

Resumo:
O Agosto Dourado destaca a importância da amamentação para a saúde de mães e bebês. Especialista explica os benefícios do leite materno, esclarece dúvidas sobre produção de leite, orienta sobre a pega e mostra cuidados para a ordenha e o armazenamento.

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