Uma das referências em arte a céu aberto no mundo, o Instituto Inhotim, em Brumadinho, vai ganhar um complemento com o dedo – e o nome – de seu criador: é o Museu Bernardo Paz, cuja criação foi anunciada neste mês de agosto, e deve começar a receber visitantes no segundo semestre de 2027.
Bernardo Paz é um empresário mineiro que construiu sua trajetória no setor de mineração e siderurgia. Ao longo dos anos, tornou-se colecionador de arte. A convivência com artistas como Tunga e o paisagista Roberto Burle Marx ampliou seu interesse pela arte contemporânea e, nos anos 1990, ele passou a conceber o que viria a ser o Inhotim, inaugurado como instituição aberta ao público em 2006.
O novo museu ocupará uma área de 126 hectares e a proposta também será integrar a coleção de arte do empresário à natureza. As cerca de 3 mil obras que devem ganhar lugar no novo museu serão complementadas por investimentos em paisagismo, com o plantio de 15 mil arvores e 1 milhão de arbustos, cactos e plantas com flores. O investimento total é projetado em R$ 1 bilhão.
Destaques do projeto
Como já ocorria no Inhotim, a conexão entre arte, natureza e a própria arquitetura dos pavilhões é o ponto marcante da proposta. Trabalhos que integram a coleção de Bernardo Paz vão ganhar uma moradia permanente, em um amplo acervo contemporâneo que contempla pinturas, esculturas, instalações e outras expressões artísticas que podem se beneficiar de um espaço amplo como o imaginado para o novo museu.
Um dos pontos altos desse primeiro momento é a instalação de uma obra do norte-americano Michael Heizer, que pela primeira vez terá um espaço permanente em um país da América Latina. Displaced Replaced Mass #3 e Negative Wall Sculpture #1, elaboradas em 1993, vão aparecer no pavilhão dedicado ao artista californiano de 81 anos.
Além das galerias, a estrutura também prevê a consolidação do espaço como um polo cultural para a comunidade de Brumadinho: as áreas de exposições vão ser ladeadas por biblioteca, ateliês de arte, dança e música, em um verdadeiro centro comunitário capaz de oferecer ainda mais opções do que já ocorre no instituto vizinho.
Gestão separada do Inhotim
Apesar da vizinhança geográfica, de guardarem semelhanças na proposta e de terem o mesmo criador, o Museu Bernardo Paz e o Instituto Inhotim vão funcionar como operações distintas. Isso porque, desde 2022, Paz entregou a administração e o acervo do Inhotim a um instituto independente, através de uma das mais vultosas doações da história da arte no Brasil.
A decisão tomada na época, porém, não afastou Paz do mercado das artes e da cultura, e o filantropo seguiu ampliando sua coleção particular, que agora vai ganhar uma face pública no museu que recebe o próprio nome do criador. A inauguração dos primeiros pavilhões é prevista para setembro de 2027 e, embora oficialmente separados, o novo museu e o Instituto Inhotim já planejam ações conjuntas quando tudo estiver plenamente operacional.
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