Setembro Amarelo: os sinais de sofrimento que crianças e adolescentes nem sempre conseguem dizer 

Nem sempre o sofrimento emocional aparece em forma de choro ou pedido de ajuda. Quando o assunto é saúde mental infantil, mudanças no jeito de agir podem dizer muito — e o Setembro Amarelo ajuda a colocar essa conversa no centro da rotina das famílias.

Segundo a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, uma criança pode demonstrar que algo não vai bem por meio do comportamento. Isolamento, irritabilidade, alterações no sono, queda no rendimento escolar e perda de interesse em atividades antes prazerosas estão entre os sinais de sofrimento emocional que merecem atenção quando fogem do padrão habitual.

Isso não significa que toda mudança seja motivo para alarme. O ponto de atenção está na persistência, na intensidade e no impacto da alteração. Se o comportamento começa a interferir na escola, na alimentação, nas relações ou no sono, vale investigar o que está acontecendo.

Quais sinais de saúde mental infantil merecem atenção?

Mais importante do que observar um episódio isolado é comparar a criança com ela mesma. “Se ela sempre foi comunicativa e passa a se isolar, se costumava participar das atividades e perde o interesse ou apresenta uma irritabilidade que não era habitual, é importante investigar”, afirma Silvia.

Em crianças neurodivergentes, como aquelas com autismo ou TDAH, esse cuidado ganha uma camada extra. Uma mudança nova não deve ser automaticamente atribuída à condição de base. Conhecer o funcionamento habitual da criança ajuda família e escola a perceber o que realmente saiu do padrão.

A troca entre responsáveis e professores também faz diferença. Como cada ambiente mostra uma parte da rotina, juntar essas observações ajuda a construir uma visão mais completa sobre a saúde mental infantil.

Como o sofrimento emocional pode aparecer na adolescência?

Na adolescência, a tristeza não é o único sinal. A psiquiatra Fabricia Signorelli explica que irritabilidade, agressividade, isolamento, queda no desempenho escolar e alterações importantes no sono também podem indicar sofrimento.

Nessa fase, o contexto é importante. Um adolescente querer ficar sozinho em determinado momento não significa, por si só, que exista um problema. A atenção aumenta quando os sinais de sofrimento emocional persistem, se intensificam ou começam a prejudicar a vida do jovem.

Quando os pais percebem essa mudança, a conversa não precisa virar interrogatório. Fabricia recomenda demonstrar disponibilidade e evitar frases que minimizem a dor, como “isso é só uma fase”. Acolher, nesse caso, significa ouvir e deixar claro que existe um adulto disposto a ajudar.

As mudanças de humor na adolescência são comuns e fazem parte da construção da identidade do jovem, mas como lidar com elas? – Crédito: Unsplash

Quando é hora de procurar ajuda profissional?

As especialistas recomendam buscar avaliação profissional quando as mudanças são persistentes, intensas ou afetam significativamente a rotina. A avaliação não significa, necessariamente, que exista um diagnóstico: ela ajuda a entender o que está acontecendo e quais estratégias podem apoiar aquela criança ou adolescente.

Falas recorrentes sobre morte, desesperança, autolesão ou indicação de risco imediato exigem ajuda especializada. Fabricia reforça ainda que perguntar diretamente sobre pensamentos relacionados à morte não “coloca uma ideia” na cabeça do jovem; pode abrir espaço para algo vivido em silêncio.

A campanha Setembro Amarelo pode servir como lembrete, mas esse cuidado não precisa ficar restrito a um mês. Vínculo, escuta e atenção às mudanças do dia a dia ajudam adultos a perceber quando uma criança ou adolescente precisa de aproximação e, quando necessário, de apoio profissional.

Resumo: A saúde mental infantil também pode se manifestar por mudanças de comportamento, sono, interesse e rendimento escolar. Sinais persistentes ou intensos merecem atenção, especialmente quando afetam a rotina. Família e escola podem somar percepções, enquanto a escuta sem julgamento ajuda crianças e adolescentes a falar sobre o que sentem. Situações de risco exigem ajuda especializada.

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