Reconstrução mamária após o câncer: entenda quando a cirurgia pode ser realizada

O tratamento do câncer de mama pode envolver diferentes etapas, e a reconstrução mamária é uma das possibilidades para mulheres que passam por uma mastectomia, cirurgia de retirada total da mama. Além de recuperar o contorno mamário, o procedimento pode contribuir para a autoestima e o bem-estar emocional durante a recuperação.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença por ano no triênio de 2026 a 2028. Diante desse cenário, o Outubro Rosa também é uma oportunidade para ampliar a informação sobre as opções de cuidado disponíveis após o diagnóstico.

A reconstrução mamária integra a abordagem multidisciplinar do câncer de mama e pode ser realizada no mesmo momento da cirurgia oncológica ou posteriormente. A indicação depende das características de cada caso e deve ser discutida entre a paciente e a equipe médica.

Reconstrução pode ser feita junto à retirada do tumor

A reconstrução imediata é realizada durante a mesma cirurgia em que o tumor é retirado. Em outras situações, o procedimento é feito em uma segunda etapa, após parte ou a conclusão do tratamento oncológico.

A cirurgiã plástica Larissa Sumodjo, especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que os avanços técnicos permitem considerar a reconstrução desde o planejamento da cirurgia contra o câncer, sem que isso represente, necessariamente, prejuízo ao tratamento.

A possibilidade, porém, precisa ser avaliada individualmente. As condições clínicas da paciente, as características do tumor e as outras etapas previstas no tratamento influenciam a escolha do momento mais adequado.

Quais são as técnicas de reconstrução mamária?

A técnica é definida de acordo com a cirurgia oncológica, o tecido disponível e as características físicas da paciente. Entre as possibilidades estão o uso de implantes de silicone e a remodelação da mama com o próprio tecido preservado, em casos de cirurgias conservadoras.

O tratamento também pode influenciar a extensão da operação. Em determinadas situações, a quimioterapia realizada antes da cirurgia, chamada neoadjuvante, reduz o tumor e pode permitir uma abordagem cirúrgica menos extensa.

Por isso, o planejamento conjunto entre as equipes responsáveis pelo tratamento oncológico e pela reconstrução é importante para avaliar as alternativas e alinhar as expectativas da paciente.

Qual é o impacto da reconstrução na autoestima?

O diagnóstico de câncer de mama pode provocar medo, insegurança e preocupação com as mudanças físicas decorrentes do tratamento. Como a mama pode estar associada à percepção da feminilidade, à sexualidade e à imagem corporal, a possibilidade de reconstrução também merece atenção no cuidado emocional.

Segundo Larissa Sumodjo, apresentar as técnicas disponíveis e conversar sobre as expectativas da paciente são etapas importantes para que ela participe das decisões sobre o próprio tratamento.

A reconstrução pode contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida, mas a experiência varia de mulher para mulher. O acolhimento psicológico e o acompanhamento multiprofissional também podem fazer parte desse processo.

Reconstrução mamária após o câncer: entenda quando a cirurgia pode ser realizada. Foto: Magnific

Toda mulher que passa por uma mastectomia pode fazer reconstrução?

A reconstrução mamária deve ser discutida com as pacientes que passam pela retirada total ou parcial da mama. A possibilidade e o momento da cirurgia, entretanto, dependem das condições clínicas e das necessidades do tratamento oncológico.

O planejamento individualizado permite avaliar os benefícios, os riscos e as alternativas disponíveis. A decisão deve ser tomada com informações claras, considerando a segurança da paciente e a continuidade do tratamento contra o câncer.

Durante o Outubro Rosa, ampliar o acesso a essas informações ajuda as mulheres a conhecerem as possibilidades de cuidado e a conversarem com suas equipes de saúde sobre as opções adequadas para cada situação.

Resumo: A reconstrução mamária pode fazer parte do tratamento do câncer de mama e ser realizada durante a cirurgia oncológica ou posteriormente. As técnicas incluem o uso de implantes e a remodelação com tecido preservado, conforme cada caso. A indicação depende das condições clínicas, do planejamento oncológico e das necessidades da paciente, e o procedimento pode contribuir para a autoestima e a qualidade de vida.