Bactérias que se acumulam na língua, nos dentes e nas gengivas estão por trás da maioria dos casos de mau hálito. Ao quebrar as proteínas presentes em restos de comida, na saliva e nas células da boca, esses micro-organismos liberam os compostos sulfurados voláteis, gases que figuram entre os principais responsáveis pelo cheiro ruim. Associar o problema só à falta de escovação, porém, deixa de fora outras origens possíveis, algumas delas ligadas à saúde geral.
A halitose, nome técnico do mau hálito, vai além do incômodo: causa constrangimento, insegurança e pode até afastar a pessoa dos amigos e dos colegas de trabalho.
“O mau hálito não afeta apenas a saúde bucal. Ele pode comprometer a autoestima, gerar insegurança e interferir nas relações sociais e profissionais. Muitas pessoas acabam se afastando do convívio por vergonha, sem saber que, na maioria dos casos, o problema tem tratamento”, explica Juliana Búrigo, cirurgiã-dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, que atua em Criciúma (SC).
A língua concentra boa parte das bactérias
Entre as causas que nascem na própria boca, as mais comuns são:
saburra lingual, a camada esbranquiçada que se forma em cima da língua;
placa bacteriana;
doenças periodontais;
problemas nos dentes que facilitam o acúmulo de restos de comida;
menor produção de saliva.
Mau hálito nasce na boca na maioria das vezes, mas pode ter ligação com diabetes e rins (Foto: Magnific)
“A língua é um dos principais locais de acúmulo de bactérias responsáveis pelo mau odor. Por isso, não basta apenas escovar os dentes. A higienização da língua e o cuidado com as gengivas são fundamentais para controlar a halitose”, destaca Juliana.
Higiene completa, do dente à língua
Quando a origem está na boca, cuidar bem da limpeza e manter as consultas ao dentista costumam trazer melhora significativa. Escovar os dentes, passar fio dental todos os dias e limpar a língua diminuem a quantidade de bactérias. Conforme o caso, o cirurgião-dentista ainda indica escovas interdentais, raspadores de língua e limpezas profissionais com mais frequência.
Quem tem doença periodontal precisa de acompanhamento regular no consultório, já que as bolsas que se formam em volta dos dentes servem de abrigo para as bactérias ligadas ao odor.
Os enxaguantes bucais, principalmente os que têm substâncias antimicrobianas, ajudam a controlar a halitose. O uso deve ser orientado por um profissional, e o produto não substitui a escova, o fio dental nem o tratamento de doenças bucais.
“Um erro bastante comum é tentar resolver o mau hálito apenas com enxaguatórios, balas ou chicletes. Esses recursos podem até disfarçar o odor momentaneamente, mas não eliminam sua origem. O tratamento eficaz depende de uma higiene completa e, principalmente, da identificação da causa”, orienta a cirurgiã-dentista.
Quando o problema está fora da boca
Em uma parte dos casos, o cheiro ruim tem pouco a ver com dentes e gengivas. Os cáseos amigdalianos (pequenas massas esbranquiçadas que se acumulam nas cavidades das amígdalas) e algumas alterações no nariz e nas vias respiratórias também provocam odor desagradável.
Mais raramente, a halitose aparece associada a doenças sistêmicas, como diabetes descompensado, insuficiência renal ou do fígado e certos problemas gastrointestinais e pulmonares.
“Nem sempre o mau hálito significa falta de higiene. Em alguns casos, ele pode estar relacionado a alterações em outras partes do organismo. Quando descartamos as causas bucais, é importante investigar outras possibilidades com o médico especialista”, esclarece Juliana.
O caminho até o diagnóstico
A consulta com o dentista costuma ser a primeira etapa, para confirmar ou descartar as causas que estão na boca. Se for preciso, o paciente é encaminhado a um médico para uma investigação mais detalhada. Mau hálito que não vai embora pode sinalizar a necessidade de tratamento odontológico ou, em situações específicas, de exames médicos mais aprofundados. Descobrir a causa evita as soluções temporárias, que só escondem o cheiro.
Para manter o hálito em dia, a receita inclui higiene bucal caprichada, consultas periódicas ao cirurgião-dentista e busca por orientação profissional sempre que o odor persistir.
Resumo: O mau hálito costuma nascer na boca, por causa de bactérias na língua, placa e doenças da gengiva, e melhora com escovação, fio dental e limpeza da língua. Quando persiste, pode vir das amígdalas, do nariz ou de doenças como diabetes, e pede investigação.
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