Audição, equilíbrio e prevenção: cuidados importantes em todas as fases da vida

A saúde auditiva costuma chamar atenção quando a dificuldade para compreender uma conversa já interfere na rotina. Mas ouvir também participa da forma como percebemos o ambiente e nos orientamos no espaço. A relação entre audição, equilíbrio e prevenção foi tema da participação da fonoaudióloga Dra. Ariane Bonucci no podcast Podsticando. Especialista em Audiologia Clínica, mestre em Ciências Médicas e sócia-fundadora do Espaço da Audição, ela conversou com o apresentador Tadeu, conhecido como TJ, sobre sinais de alerta e cuidados cotidianos com os ouvidos.

A conversa ajuda a lembrar que mudanças na audição podem surgir aos poucos. Dificuldade para entender a fala, especialmente em locais movimentados, ou a impressão de que as pessoas estão falando baixo podem passar despercebidas por um tempo. Observar essas alterações e buscar avaliação profissional quando necessário são passos importantes para cuidar da comunicação e da qualidade de vida.

Audição e equilíbrio: estruturas próximas

Ariane explicou que a cóclea, estrutura do ouvido interno relacionada à captação dos sons, fica próxima ao labirinto, que participa do equilíbrio. “Os órgãos, tanto o do equilíbrio quanto o da audição, estão muito próximos. É por isso que pode haver uma correlação entre um problema auditivo e uma alteração no equilíbrio”, afirmou. Ela ressaltou, porém, que essa relação não acontece em todos os casos.

A especialista também falou sobre a atenção exigida quando a pessoa tem dificuldade para ouvir. “Se eu não escuto bem, o cérebro tem que trabalhar dobrado para focar nos sons ao redor. Pode faltar um pouco de energia para prestar atenção, por exemplo, em um degrau, em um buraco ou na profundidade do chão”, disse.

Isso não significa que toda alteração auditiva provoque desequilíbrio: cada sintoma precisa ser avaliado individualmente.

Ruídos intensos também merecem atenção

As causas de perda auditiva são variadas e podem aparecer em diferentes etapas da vida. Durante o podcast, Ariane mencionou condições ocorridas na gestação, doenças e infecções. Entre pessoas mais velhas, citou a presbiacusia, associada ao envelhecimento natural do sistema auditivo.

Outro tema foi a exposição frequente a sons intensos, seja em determinados ambientes de trabalho, seja no uso de fones de ouvido. Ariane alertou que a perda auditiva induzida pelo ruído geralmente acontece de forma silenciosa. “A cada dia que você é exposto frequentemente a um ruído de alta intensidade, pode lesar uma célula da cóclea”, afirmou.

A dificuldade para entender a fala ou acompanhar conversas em locais ruidosos pode surgir gradualmente, segundo a fonoaudióloga. Por isso, mudanças persistentes na forma de ouvir merecem atenção e podem ser conversadas com um profissional de saúde auditiva.

No caso dos fones, Ariane recomendou limitar o tempo de uso e fazer pausas. “A orientação é, no máximo, uma hora e um longo período de descanso. Se puder, menos tempo do que uma hora”, disse. A orientação foi apresentada pela especialista durante o bate-papo; quem tiver dúvidas sobre hábitos de escuta ou perceber mudanças na audição pode buscar orientação profissional.

Dra. Ariane Bonucci. Foto: Thiago Simpatia

Cera tem função protetora

A limpeza dos ouvidos também entrou na conversa. Ariane desaconselhou colocar objetos no canal auditivo, inclusive hastes flexíveis de algodão. “A gente aconselha a nunca inserir absolutamente nada dentro do ouvido”, declarou.

A cera, explicou a fonoaudióloga, ajuda a proteger o ouvido de poeira e de outras partículas. “A cera é uma proteção do nosso ouvido. Ela está lá para proteger de poeira e de outras coisas que possam entrar.” A tentativa de limpar a parte interna pode empurrar a cera para dentro, irritar o canal auditivo ou, em situações mais graves, perfurar o tímpano.

Para a higiene cotidiana, a recomendação de Ariane é limpar somente a parte externa da orelha com a ponta de uma toalha, sem introduzi-la no canal. Quando há excesso de cera ou desconforto, a orientação é procurar um médico otorrinolaringologista para avaliar a necessidade de limpeza adequada. A remoção deve ser feita com cuidado, de acordo com a condição de cada pessoa.

Acompanhamento ao longo da vida

A prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento auditivo periódico foram destacados pela especialista como medidas que podem ajudar a preservar a comunicação, a autonomia, a interação social e a qualidade de vida. Prestar atenção a mudanças, evitar inserir objetos nos ouvidos e cuidar da exposição a ruídos são atitudes simples discutidas na entrevista.

Ariane também reforçou que a avaliação profissional é importante diante de dúvidas ou sinais persistentes. Alterações na audição e no equilíbrio podem ter diferentes causas; por isso, a identificação do que está acontecendo depende de análise individual. O acompanhamento permite conversar sobre os sintomas e definir os próximos passos de maneira adequada. O episódio completo está disponível no canal do Podsticando no YouTube.