O avanço da inadimplência no país pressiona empresas de todos os setores a buscarem novas estratégias de recuperação, mas a resposta mais eficiente está na inteligência aplicada ao relacionamento com o devedor.
A chegada da IA generativa inaugura uma etapa mais sofisticada da cobrança, baseada em dados, previsibilidade e conversas digitais altamente personalizadas. O objetivo deixa de ser insistir para que o consumidor pague e passa a ser criar condições reais para que ele consiga quitar a dívida.
Esse movimento se torna ainda mais evidente quando analisamos o comportamento de quem está inadimplente. Segundo a PEIC/CNC, mais de 30% dos brasileiros endividados atrasam o pagamento por não conseguirem ajustar as parcelas ao orçamento mensal, especialmente em momentos de alta dos preços essenciais.
O dado reforça que o desejo de pagar existe, mas a capacidade financeira é o fator que limita a conclusão dos acordos.
Ou seja, a inadimplência não está ancorada na falta de intenção, mas na volatilidade do orçamento das famílias, um orçamento que opera no limite e exige propostas realmente compatíveis com a vida real do consumidor.
Quando a cobrança deixa de ser volume e passa a ser ciência de dados.
Por décadas, o setor de cobrança funcionou como uma operação de escala, com mais contatos, mais agentes, mais campanhas. Esse modelo, porém, envelheceu rápido. Processos extensos, abordagens genéricas e pouca aderência ao momento financeiro do consumidor reduziam drasticamente as chances de recuperação.
A IA generativa altera essa equação ao permitir a leitura profunda de padrões de comportamento, intenção real e probabilidade de pagamento.
Em 2024, um estudo da McKinsey mostrou que empresas que já utilizam modelos generativos em operações administrativas e de atendimento registram ganhos de até 40% de eficiência, reforçando que o valor não está apenas na automação, mas na capacidade de ajustar o processo à realidade de cada pessoa.
IA generativa e ruptura no setor de cobrança
O uso de IA generativa cria uma ruptura importante, que sai de cena a cobrança tradicional e entra uma lógica de facilitação, na qual o consumidor não enfrenta pressão, mas encontra caminhos reais de pagamento.
Conversas digitais mais inteligentes, cálculos automáticos de parcelas possíveis, ofertas preditivas e jornadas com menos atrito transformam a experiência e ampliam a probabilidade de sucesso.
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Num país em que a inadimplência não é sinal de desinteresse, mas de fragilidade financeira, a IA generativa desempenha papel central, transformar cobrança em acolhimento, estratégias em previsibilidade e renegociação em retomada real da vida financeira.
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